As urolitinas são uma classe de compostos orgânicos microbianos produzidos no cólon humano através da metabolização de elagitaninos e ácido elágico por bactérias específicas da microbiota intestinal. Estes metabolitos, que pertencem à família das dibenzo-piran-6-onas, não se encontram prontamente nos alimentos, mas resultam da biotransformação de polifenóis presentes em frutos como a romã, morangos, framboesas e nozes. O processo de conversão inicia-se com a hidrólise dos elagitaninos em ácido elágico no estômago e intestino delgado, seguida pela ação de enzimas bacterianas no intestino grosso que removem grupos hidroxilo e descarboxilam a molécula, gerando diferentes variantes químicas, sendo a urolitina A (UA) e a urolitina B (UB) as mais amplamente estudadas devido à sua elevada biodisponibilidade em comparação com os seus precursores. A produção endógena de urolitinas varia drasticamente entre indivíduos, dependendo da composição específica do microbioma intestinal, o que levou à classificação da população em três metabótipos: o metabótipo A, caracterizado pela produção exclusiva de urolitina A; o metabótipo B, que produz UA juntamente com urolitina B e isourolitina A; e o metabótipo 0, composto por indivíduos que não possuem as bactérias necessárias para realizar esta conversão. Estima-se que apenas 30 a 40% das pessoas consigam produzir níveis significativos de urolitina A de forma natural, uma capacidade que tende a diminuir com o envelhecimento e o desequilíbrio da flora intestinal. Esta disparidade biológica tem impulsionado o desenvolvimento da urolitina sintética purificada como um suplemento nutricional (frequentemente comercializado sob nomes como Mitopure), permitindo que indivíduos de todos os metabótipos beneficiem das suas propriedades biológicas de forma direta e padronizada. O mecanismo de ação mais notável da urolitina A é o seu papel como um potente indutor da mitofagia, o processo celular de reciclagem de mitocôndrias danificadas ou disfuncionais. Ao ativar vias de sinalização como a AMPK e estabilizar proteínas essenciais para o controlo de qualidade mitocondrial, a UA facilita a eliminação de resíduos celulares e promove a biogénese de novas mitocôndrias saudáveis, o que é crucial para travar o declínio energético associado ao envelhecimento. Estudos clínicos em humanos demonstraram que a suplementação com UA pode aumentar a força muscular em cerca de 12%, melhorar a resistência aeróbica e reduzir marcadores de inflamação sistémica, apresentando resultados promissores no tratamento da sarcopenia e na recuperação de tecidos em atletas e idosos. Para além da saúde muscular, a investigação científica tem expandido as aplicações potenciais das urolitinas para áreas como a neuroproteção, a saúde cardiovascular e a oncologia. A urolitina B, por exemplo, tem demonstrado capacidades singulares na regulação da massa muscular através da inibição da aromatase e da modulação de vias de síntese proteica como a mTOR, além de apresentar efeitos protetores contra a aterosclerose ao reduzir a acumulação de placas lipídicas nos vasos sanguíneos. No campo da longevidade, as urolitinas são consideradas «pós-bióticos» revolucionários, com evidências de que podem fortalecer a barreira hematoencefálica, retardar o envelhecimento cognitivo e melhorar a resposta imunitária ao reduzir a senescência celular e a inflamação crónica, posicionando-as como alvos terapêuticos de elite na medicina preventiva moderna.

Referências