O sistema de graduação do jiu-jitsu brasileiro é o nível crescente de conhecimento técnico e habilidade de um praticante da arte. Faixas coloridas, usadas como parte da vestimenta usada no esporte, são concedidas ao praticante. O sistema de graduação compartilha suas origens com o sistema de faixas e graduações do judô, mas o sistema de BJJ tem algumas pequenas diferenças em relação ao judô, como a divisão entre praticantes crianças e praticantes adultos e a emissão de listras e graus. Algumas diferenças se tornaram sinônimo da arte, como a informalidade nos critérios de promoção, com foco na demonstração competitiva de habilidade e uma promoção conservadora.

História Em 1907, Kanō Jigorō, o fundador do judô, introduziu o uso de faixas (obi) e gi (judogi) nas artes marciais, substituindo a prática de uso de quimonos formais. Em 1914, um aluno de Kanō, Mitsuyo Maeda, chegou ao Brasil para uma jornada que levou ao desenvolvimento do jiu-jitsu brasileiro . Na época, Kanō usava apenas faixas brancas e pretas. Alguns acreditam que Mikonosuke Kawaishi foi o primeiro a introduzir cores adicionais em 1935, quando começou a ensinar judô em Paris, dez anos depois de Carlos Gracie abrir sua academia no Brasil. Kawaishi acreditava que um sistema mais estruturado de faixas coloridas proporcionaria ao aluno recompensas visíveis ao esforço para demonstrar o progresso, aumentando a motivação e a retenção. No entanto, registros escritos dos arquivos do clube de judô Budokwai de Londres, fundado em 1918, documentam o uso de faixas coloridas no 9o Encontro Anual do Budokwai, em 1926, e uma lista de judocas graduados por cores aparece nas atas do Comitê do Budokwai de junho de 1927. Kawaishi pode ter chegado ao Reino Unido por volta de 1928 e parece ter visitado Londres e o Budokwai pela primeira vez em 1931. De lá, ele provavelmente se inspirou a trazer o sistema de faixas coloridas para a França. Desde então, o jiu-jitsu brasileiro, o judô e muitas outras artes marciais adotaram o uso de faixas coloridas para denotar a progressão dos alunos nas artes. O primeiro sistema oficial de classificação por faixas foi criado em 1967 pela Federação de Jiu-Jitsu de Guanabara. Antes disso, havia três cores de faixa no jiu-jitsu brasileiro que distinguiam principalmente instrutores de alunos. A faixa branca era para alunos, azul-clara para instrutores e azul-escura para instrutores-chefes e mestres. A Federação Internacional de Jiu-Jitsu Esportivo (SJJIF) e a Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro implementaram grande parte das atualizações no sistema de faixas coloridas atuais e as regras de graduações de faixa modernas.

Sistema adulto de faixas

Faixa branca A faixa branca é a graduação inicial para todos os praticantes de jiu-jitsu brasileiro. Essa graduação é concedida a qualquer praticante iniciante na arte e não possui pré-requisitos. Alguns instrutores e outros mestres acreditam que o treinamento de um faixa branca deve priorizar escapes de posições desvantajosas e posicionamento defensivo, visto que um faixa branca frequentemente lutará em posições desvantajosas, especialmente ao treinar com praticantes mais experientes, por ser a menor das graduações. A maioria das academias exigirá também que um praticante de nível faixa branca treine para ter um conjunto de habilidades completo e não apenas o conhecimento defensivo, exigindo conhecimento de movimentos ofensivos básicos, como finalizações comuns e passagens de guarda .

Faixa azul A faixa azul é a segunda faixa na graduação adulta no jiu-jitsu brasileiro em academias que não utilizam faixas adicionais, como amarela, laranja e verde para adultos por achar que o salto da faixa branca para a faixa azul é muito grande, adicionando faixas intermediárias entre as duas. No faixa azul, os praticantes adquirem um amplo conhecimento técnico e dedicam centenas de horas de treino no tatame para aprender a executar todos os movimentos e técnicas aprendidas com eficiência. A faixa azul é frequentemente uma das graduações na qual o aluno aprende o maior número de técnicas, por já não ser tão iniciante quanto a faixa branca. A IBJJF exige que o praticante permaneça treinando e competindo na faixa azul por um mínimo de dois anos antes de progredir para a faixa roxa. Em 2022, a IBJJF atualizou as regras e agora permite que os treinadores ignorem esse tempo mínimo se o praticante tiver conquistado um campeonato mundial adulto na faixa azul. As organizações de Jiu-Jitsu Gracie concedem as faixas cinza, amarela, laranja e verde apenas para os praticantes do sistema infantil até os 15 anos e concedem a Gracie Combatives como sua única faixa de graduação intermediária para adultos entre a faixa branca e a faixa azul, não usando qualquer outra faixa. A IBJJF exige que o praticante tenha pelo menos 16 anos de idade para receber a faixa azul, entrando oficialmente no sistema de faixas adulto caso tenha saído do sistema infantil.

Faixa roxa A faixa roxa é a graduação intermediária adulta no jiu-jitsu brasileiro. O praticante de faixa roxa já adquiriu um grande conhecimento e os faixas roxas são geralmente considerados aptos para ajudar a instruir alunos de graduações inferiores em demonstrações ou aulas. A IBJJF exige que os alunos tenham pelo menos 16 anos de idade para ter a faixa roxa e recomenda que tenham permanecido no mínimo dois anos na faixa azul para serem elegíveis para a faixa roxa, com requisitos um pouco diferentes para os praticantes que se graduaram diretamente do sistema infantil. A IBJJF exige que um lutador da arte permaneça na faixa roxa por um mínimo de 18 meses antes de alcançar a faixa marrom. A partir de 2022, a IBJJF permite que os treinadores ignorem esse requisito de tempo mínimo se o praticante tiver conquistado um campeonato mundial adulto na faixa roxa.

Faixa marrom A faixa marrom é a graduação mais alta abaixo da faixa preta dentro do jiu-jitsu brasileiro. A progressão de faixa branca (iniciante) até a faixa marrom geralmente requer pelo menos oito anos de treinamento dedicado. É frequentemente considerada um período para o aprimoramento das técnicas e preparação para a faixa preta. A IBJJF exige que os alunos tenham pelo menos 18 anos de idade e recomenda que tenham passado um mínimo de 18 meses como faixa roxa para serem elegíveis para a faixa marrom. A IBJJF exige que um praticante treine no nível de faixa marrom por um mínimo de um ano antes de avançar à faixa preta. A partir de 2022, a IBJJF permite que os treinadores ignorem esse requisito de tempo mínimo se o praticante tiver conquistado um campeonato mundial adulto na faixa marrom.

Faixa preta No jiu-jitsu brasileiro, a faixa preta demonstra um nível de especialização em habilidade técnica e prática. Os faixas pretas de BJJ são frequentemente chamados de "professor", "mestre" ou "treinador" dentro da luta, embora algumas academias e organizações reservem esses títulos para os instrutores de faixa preta com graus mais altos. Para ser elegível para a faixa preta, a IBJJF exige que o aluno tenha pelo menos 19 anos de idade e tenha passado no mínimo um ano como faixa marrom. A faixa preta possui nove graus diferentes de especialização, anexados na ponta da faixa, semelhantes ao dan nas artes marciais japonesas tradicionais, como o judô, com as graduações de sétimo e oitavo dan, representados por uma faixa coral, e o nono dan representado por uma faixa vermelha. A IBJJF exige que um praticante treine e ensine na faixa preta por um mínimo de três anos antes de progredir para o próxima grau da faixa preta, nos três primeiros graus. Os graus 4, 5 e 6 exigem 5 anos a partir da graduação anterior. Como acontece com a maioria das coisas no jiu-jitsu, não há padronização entre academias ou organizações. Isso também se aplica à faixa preta, já que não há diretrizes definidas pela IBJJF em relação às variações da faixa. No entanto, existem três variações comuns de faixa preta, cada uma com seu próprio significado: uma faixa preta com uma barra branca geralmente indica um praticante comum ou competidor, enquanto uma faixa preta com uma barra vermelha é a faixa preta padrão (mas às vezes diferencia um competidor de um professor) e pode frequentemente indicar um treinador, e uma barra vermelha com bordas brancas em ambas as extremidades às vezes é concedida após pelo menos um ano ou mais de ensino como faixa preta e indica um professor. Royce Gracie e os irmãos Valente criaram uma faixa preta com uma barra azul para homenagear o legado de Hélio Gracie, mas essa prática não foi amplamente adotada pelos praticantes e organizações de jiu-jitsu brasileiro. Royce Gracie agora usa uma faixa azul-marinho sem graus de graduação após a morte de seu pai, Hélio Gracie.

Faixa vermelha/preta (faixa coral) Quando um faixa-preta de jiu-jitsu brasileiro atinge o sétimo grau, ele recebe uma faixa alternada entre vermelha e preta, semelhante à concedida à faixa-preta de quarto grau por algumas poucas organizações de judô, como a USJA. Essa faixa é comumente conhecida como faixa coral, em referência à cobra coral . Os faixas-coral são praticantes muito experientes, a maioria dos quais teve um grande impacto no jiu-jitsu brasileiro, e são frequentemente tratados na arte pelo título de mestre. A IBJJF exige um mínimo de 7 anos de treinamento e ensino nos níveis de faixa-preta e vermelha antes de progredir para a próxima graduação (faixa vermelha/branca).

Faixa vermelha/branca (faixa de coral) A Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro alterou, em 2013, as regras de graduação com relação à transição entre a faixa preta de sétimo e oitavo grau. Resumidamente, um praticante que atingiu a graduação de faixa preta de oitavo grau usará uma faixa vermelha e branca semelhante à usada em ocasiões formais por praticantes de judô do sexto ao oitavo grau, também comumente chamada de faixa coral. A IBJJF exige um mínimo de 10 anos de ensino e treinamento no nível de faixa vermelha e branca antes de progredir para a próxima graduação.

Faixa vermelha

Segundo Renzo e Royler Gracie, no jiu-jitsu brasileiro, a faixa vermelha é reservada "para aqueles cuja influência e fama os levam ao ápice da arte". Ela é concedida em substituição à faixa preta de nono e décimo grau. Se um praticante recebe sua faixa preta aos 19 anos, a idade mais precoce em que ele poderia esperar receber uma faixa vermelha de nono grau seria aos 67 anos. Os detentores da faixa vermelha no jiu-jitsu brasileiro são frequentemente chamados de grão-mestre dentro da arte. O décimo grau foi concedido apenas aos pioneiros do jiu-jitsu brasileiro e aos irmãos Gracie : Carlos, Oswaldo, Gastão Jr., George e Hélio . Os praticantes vivos com a graduação mais alta são os faixas vermelhas de nono grau, pois não há nenhum faixa vermelha de décimo grau vivo desde 2009, quando Hélio Gracie faleceu.

Sistema de graduação infantil Dependendo da academia, juvenis, ou crianças entre 4 e 15 anos, podem receber faixas regulares e, diferentemente das faixas para adultos, faixas coloridas que são concedidas como recompensa pelo progresso após a faixa branca, mas antes de se obter a faixa azul, que só pode ser concedida a adultos, ou seja, pessoas com 16 anos ou mais. Em 2015, a Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro especificou 13 faixas para jovens praticantes nessas faixas etárias. O grupo de três faixas cinzas tem idade mínima de 4 anos, assim como o grupo de três faixas amarelas, a partir dos 7 anos, o grupo de faixas laranjas, a partir dos 10 anos, e o grupo de faixas verdes, a partir dos 13 anos. Quando um praticante completa 16 anos, ele é imediatamente promovido ao sistema de graduação adulto de acordo com a faixa que possui no momento. Os iniciantes permanecem na faixa branca, e as faixas cinza, amarela ou laranja retornam à faixa branca ou podem ser promovidas à faixa azul a critério do professor. Também a critério do professor, as faixas verdes retornam à faixa branca ou podem ser promovidas à faixa azul ou roxa no sistema adulto.

Conversão entre sistemas de faixas dentro do jiu-jitsu brasileiro infantil A tabela abaixo mostra uma conversão aproximada entre o sistema Gracie original e o sistema da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro, incluindo a sub-graduação com listras dentro de cada faixa. Estes são os dois sistemas mais comuns para faixas infantis no jiu-jitsu brasileiro no mundo, sendo o da Federação Internacional o mais comum. Ambos os sistemas abrangem alunos de 4 a 15 anos de idade.

Critérios de promoção Poucas regras ou padrões determinam quando um praticante está pronto para uma promoção; o critério geralmente é determinado pelos professores e/ou academias individualmente. A IBJJF mantém um extenso sistema de graduação que leva em consideração o tempo na faixa e o status de membro, mas não menciona requisitos específicos de desempenho ou habilidade. Quando instrutores ou academias comentam sobre os critérios para promoção, as medidas mais amplamente aceitas são a quantidade de conhecimento técnico e conceitual que um praticante pode demonstrar, e; desempenho em grappling (randori) dentro da academia e/ou competição. O conhecimento técnico e conceitual é avaliado pela quantidade de técnicas que um aluno consegue executar e pelo nível de habilidade com que as executa em lutas reais, permitindo que praticantes menores e mais velhos sejam reconhecidos por seu conhecimento, mesmo que não sejam os lutadores mais fortes da academia. O jiu-jitsu brasileiro é um esporte distintamente individual, e os praticantes são incentivados a adaptar as técnicas ao seu tipo físico, preferências estratégicas e nível de condicionamento físico. O critério final para a promoção é a capacidade de executar as técnicas com sucesso, e não a estrita conformidade estilística.

Testes formais O jiu-jitsu brasileiro tem tido uma abordagem informal para as promoções de faixa, na qual um ou mais instrutores concordam subjetivamente que um determinado aluno está pronto para a próxima graduação. Algumas academias têm adotado uma abordagem de avaliação mais sistemática e formal, especialmente para alunos de faixas mais baixas, onde a decisão de promover é indiscutivelmente a menos controversa. Um dos primeiros instrutores a publicar critérios formais de avaliação foi Roy Harris, que formalizou seus testes de promoção da faixa branca à faixa preta. A avaliação formal está se tornando comum em muitas academias Gracie e organizações como a Alliance. Alguns sistemas Gracie introduziram testes formais online, nos quais o aluno pode enviar seus vídeos de qualificação para se provar qualificado para a promoção. Os testes formais geralmente se baseiam nos mesmos elementos de uma promoção normal, como o conhecimento técnico e conceitual do aluno e a capacidade de aplicar essas técnicas contra um oponente resistente. Alguns testes levam em consideração outros aspectos, como o caráter pessoal do aluno ou um conhecimento básico da história da arte. Os testes formais podem exigir o pagamento de taxas e um mínimo de aulas particulares prévias com o instrutor.

Competições Os alunos são geralmente incentivados a competir, pois isso pode ajudá-los a ganhar experiência. A competição permite que os instrutores avaliem as habilidades dos alunos enquanto lutam com um oponente que oferece resistência total, e é comum que uma promoção ocorra após um bom desempenho em uma competição. Na maioria das academias, competir não é essencial para a promoção, mas em uma minoria de escolas, competir não é apenas incentivado, mas também obrigatório para melhores avaliações de desempenho.

Graus de listra

Além do sistema de faixas, muitas academias concedem listras como forma de reconhecimento de progresso e habilidade dentro de cada faixa. Dentro de cada faixa, os alunos têm a oportunidade de conquistar até, geralmente, quatro listras, indicando progresso dentro daquela faixa. O número cumulativo de listras conquistadas serve como indicador do nível de habilidade do aluno em relação ao que se entende como habilidade daquela cor de faixa como um todo. As listras podem consistir em pequenos pedaços de tecido costurados na bainha da faixa ou simples pedaços de fita adesiva esportiva aplicados a ela. Embora a aplicação exata, como o número de listras permitidas para cada faixa, varie entre as instituições e escolas, a IBJJF estabelece um sistema geral segundo o qual quatro listras podem ser adicionadas antes que o aluno possa ser considerado para promoção à próxima faixa. As listras são usadas apenas para as graduações anteriores à faixa preta. Após a conquista da faixa preta, as marcações são conhecidas como graus e são concedidas de forma mais formal e com muito menos frequência. O tempo na graduação e o nível de habilidade são fatores importantes. As listras podem não ser usadas em todas as academias e, onde são usadas, podem não ser aplicadas de forma consistente.

Passar no corredor Em algumas escolas, a prática de "passar no corredor" é realizada imediatamente após uma promoção. Geralmente, segue um de dois padrões básicos. O aluno recém-promovido é atingido nas costas com faixas — uma vez por cada um de seus colegas praticantes — enquanto caminha ou corre, levando "faixadas", ou pode ser arremessado por cada instrutor e, às vezes, também por cada aluno da academia de grau igual ou superior. Os defensores do costume argumentam que "passar no corredor" serve como um método de construção de equipe e reforça a camaradagem entre os colegas. Outros costumes de iniciação podem envolver ser arremessado pelo instrutor com o quadril.

Ver também Sistema de graduação Gracie no jiu-jitsu Lista de praticantes de jiu-jitsu brasileiro Federação de Jiu-Jitsu do Rio de Janeiro Classificação no Judô Faixa Preta Ensacando areia (luta agarrada)

Referências

Links externos Sistema de Graduação da IBJJF Arquivado em 2017-08-08 no Wayback Machine (PDF)