Na ciência, a prioridade é o crédito concedido ao indivíduo ou grupo de indivíduos que primeiro realizou uma descoberta ou propôs uma teoria. A fama e as honras recaem habitualmente sobre a primeira pessoa ou grupo a publicar um novo achado, mesmo que vários investigadores tenham chegado à mesma conclusão de forma independente e ao mesmo tempo. Assim, entre dois ou mais descobridores independentes, o primeiro a publicar é o legítimo vencedor. Por este motivo, a tradição é frequentemente referida como a regra da prioridade, cujo procedimento é bem resumido na frase "publicar ou morrer" (publish or perish), uma vez que não existem segundos prémios. De certa forma, a corrida para ser o primeiro inspira a assunção de riscos que pode levar a avanços científicos benéficos para a sociedade (como a descoberta da transmissão da malária, do ADN, do VIH, etc.). Por outro lado, pode criar uma competição doentia e incentivos para publicar resultados de baixa qualidade (ex.: quantidade sobre qualidade ou a prática de má conduta científica), o que pode tornar a literatura publicada pouco fiável e prejudicar o progresso científico.

Disputas de prioridade A prioridade torna-se uma questão difícil habitualmente no contexto de disputas de prioridade, onde a precedência de uma determinada teoria, entendimento ou descoberta é posta em causa. Na maioria dos casos, os historiadores da ciência desdenham as disputas de prioridade retrospetivas como empreendimentos que geralmente carecem de compreensão sobre a natureza da mudança científica e que envolvem, tipicamente, leituras grosseiras e erradas do passado para apoiar a ideia de uma reivindicação de prioridade há muito perdida. O historiador e biólogo Stephen Jay Gould comentou certa vez que "os debates sobre a prioridade de ideias estão, geralmente, entre os mais mal orientados na história da ciência." Richard Feynman disse a Freeman Dyson que evitava disputas de prioridade "Dando sempre aos cabrões mais crédito do que eles merecem." Dyson referiu que também segue esta regra, e que esta prática é "notavelmente eficaz para evitar discussões e fazer amigos." A controvérsia do cálculo entre Newton e Leibniz foi uma disputa de prioridade de alto perfil no século XVII.

Referências

Leitura adicional Barbalet, J., "Science and Emotions", pp. 132–150 in Barbalet, J.(ed), Emotions and Sociology (Sociological Review Monograph), Blackwell Publishing, (Oxford), 2002. Boring, E.G., "Cognitive Dissonance: Its Use in Science", Science, Vol.145, No.3633, (14 August 1964), pp. 680–685. Boring, E.G., "The Problem of Originality in Science", The American Journal of Psychology, Vol.39, Nos.1-4, (December 1927), pp. 70–90. Hanson, N.R., Patterns of Discovery: An Inquiry into the Conceptual Foundations of Science, Cambridge University Press, (Cambridge), 1962. Merton, R.K., "Priorities in Scientific Discovery: A Chapter in the Sociology of Science", American