O picanço-boreal ou picanço-real-americano (Lanius borealis) é uma ave canora de grande porte da família Laniidae, nativa da América do Norte e da Sibéria. Considerado uma subespécie do picanço-real-nortenho [en] (Lanius excubitor) por muito tempo, foi elevado a espécie distinta em 2017. São reconhecidas seis subespécies.
Taxonomia O picanço-boreal foi descrito formalmente pelo ornitólogo francês Louis Pierre Vieillot em 1808 sob o nome binomial Lanius borealis. No século XIX, ornitólogos norte-americanos consideravam-no uma espécie distinta do picanço-real-nortenho, enquanto autoridades europeias os tratavam como a mesma espécie. Em 1930, o ornitólogo norte-americano Alden H. Miller investigou diferenças entre populações da Sibéria e do Alasca e não encontrou distinções consistentes, recomendando reuni-los em Lanius excubitor. Na América do Norte, esta espécie e o picanço-americano, com o qual está relacionado, são comumente conhecidos como “pássaros-açougueiros” (em inglês: butcherbirds) devido ao seu hábito de empalar as presas em espinhos ou pontas. Um nome popular em Michigan é winter butcherbird (em inglês). O povo da Primeira Nação Vuntut Gwitchin [en] de Old Crow, Yukon, chama-o de Tzi kwut go katshi lyi. Como passeriforme, ou pássaro canoro, não tem garras. Tem o bico curvo de uma ave de rapina. Um estudo de DNA mitocondrial de 2010 revelou que o picanço-boreal é mais próximo do picanço-real (Lanius meridionalis), do picanço-real-das-estepes [en] (Lanius pallidirostris) e que os três formam um clado com o picanço-chinês e o picanço-americano.
Subespécies Grupo euro-asiático oriental
Lanius borealis sibiricus – leste da Sibéria até o norte da Mongólia Mais acastanhado no dorso que excubitor, com faixas delicadas no ventre. Pouco branco na base das asas primárias. Lanius borealis bianchii – Sacalina e possivelmente sul das ilhas Curilas Menor e mais pálido que sibiricus, faixas no ventre pálidas e pouco nítidas. Pouco branco na base das asas primárias. Lanius borealis mollis – Montes Altai (Rússia), noroeste da Mongólia Mais acastanhado que sibiricus no dorso, faixas no ventre bem marcadas. Pouco branco na base das asas primárias. Lanius borealis funereus – Tian Shan e oeste da China Grande; dorso bastante escuro e acastanhado, ventre cinzento-azulado com faixas quase pretas. Pouco branco na base das asas primárias. Grupo norte-americano
Lanius borealis borealis – região da baía de Hudson (Ontário e Quebec) Parecido com excubitor, mas mais escuro e com faixas tênues no ventre. John James Audubon chamou esta subespécie de great American shrike em The Birds of America. Lanius borealis invuctus – norte de Alberta até o norte do Alasca, talvez também a península de Tchukotka (extremo nordeste da Sibéria) Maior e mais pálido que borealis, semelhante a homeyeri em relação a excubitor.
Descrição O picanço-boreal distingue-se do picanço-americano pelo maior porte, plumagem cinzenta mais clara e máscara preta maior que cobre completamente o olho. O bico é mais longo e apresenta gancho mais pronunciado. As vocalizações são semelhantes. Medidas:
Comprimento: 23–24 cm Peso: 56–79 g Envergadura: 30–35 cm
Distribuição e habitat Reproduz-se na taiga e tundra desde Labrador até o oeste do Alasca (incluindo algumas ilhas Aleutas) e até o oeste da Sibéria, chegando ao extremo noroeste da China, norte da Mongólia e baía de James. Nidifica em bordas de floresta onde existam árvores ou arbustos adequados, usando abeto-branco, Picea mariana, Salix alaxensis [en] e Populus. O limite norte da área de reprodução é definido pela presença de salgueiros arbustivos de 1–2 m de altura. Os picanços-boreais são irruptivos no inverno. Alguns permanecem na área de reprodução o ano todo, mas a maioria migra para sul dependendo da severidade do inverno, da disponibilidade de alimento e da competição com outros picanços. Chegam ao nordeste da China e ao Japão na Ásia e, de forma irregular, até o Novo México, Kansas, Illinois, Ohio, Pensilvânia e Nova Jérsia. Nos terrenos de invernada preferem áreas abertas, incluindo bordas de floresta, pradarias, terras agrícolas, savanas e pântanos costeiros. Observações em Idaho sugerem que territórios de invernada adequados são disputados, pois indivíduos mortos eram rapidamente substituídos.
Alimentação Os picanços-boreais costumam empoleirar-se em postes altos e ramos para observar presas. Alimentam-se de artrópodes como aranhas, besouros, percevejos e gafanhotos, além de pequenos vertebrados. Entre as presas identificadas estão aves passeriformes como calhandra-cornuda, chapim-de-cabeça-preta, estorninho-malhado, tico-tico-de-peito-cinzento, tico-tico-coroado [en], junco-comum [en], pintassilgo-pinheiro e pardal-doméstico; pequenos mamíferos como Sorex vagrans, Reithrodontomys megalotis [en], espécies de Peromyscus, Microtus longicaudus [en], Microtus pennsylvanicus [en] e Mus musculus; e répteis como lagartos do gênero Sceloporus [en]. Já foram observados caçando tentilhões e pardais em comedouros. São conhecidos por atrair pequenas aves imitando seus cantos.
Referências
Ligações externas Northern shrike – Lanius borealis – USGS Patuxent Bird Identification InfoCenter (em inglês) Northern shrike species account – Cornell Lab of Ornithology (em inglês)