A tomada de Abu Musa e da Grande e Pequena Tunb pela Marinha Imperial Iraniana ocorreu em 30 de novembro de 1971, pouco depois da retirada das forças britânicas das ilhas de Abu Musa e das ilhas Grande e Pequena Tunb, todas localizadas no Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. O Estado Imperial do Irã reivindicava a soberania sobre ambos os conjuntos de ilhas, enquanto o Emirado de Ras al-Khaimah reivindicava as ilhas Grande e Pequena Tunb e o Emirado de Sharjah reivindicava Abu Musa. Após a tomada das ilhas pelo Irã, os emirados de Sharjah e de Ras al-Khaimah aderiram aos recém-formados Emirados Árabes Unidos, em 2 de dezembro de 1971 e 10 de fevereiro de 1972, respectivamente, fazendo com que os Emirados Árabes Unidos herdassem a disputa territorial com o Irã sobre as ilhas. Até a atualidade, as ilhas permanecem disputadas entre os Emirados Árabes Unidos e a República Islâmica do Irã. Na prática, o Irã mantém o controle sobre as ilhas desde sua tomada em 1971, enquanto os Emirados Árabes Unidos fizeram diversas tentativas por meio de canais internacionais para obter o controle soberano das ilhas.
Contexto Em 29 de novembro de 1971, pouco antes do fim do protetorado britânico e da formação dos Emirados Árabes Unidos, o Irã e o governante de Sharjah assinaram um memorando de entendimento para a administração conjunta de Abu Musa. Nos termos do memorando de entendimento, Sharjah deveria ter uma delegacia de polícia local em Abu Musa e o Irã deveria estacionar tropas na ilha, conforme um mapa anexado ao memorando. O Irã e Sharjah teriam jurisdição plena nas áreas designadas e suas bandeiras continuariam a ser hasteadas. O memorando de entendimento previa a distribuição igualitária das receitas do petróleo. Diz-se que o governante de Sharjah não tinha outra opção viável senão assinar o memorando de entendimento, tendo que negociar para salvar parte de seu território ou renunciar definitivamente à restauração da parte restante da ilha. No mesmo dia, o Irã recuperou as ilhas Tunbs. Um dia depois, em 30 de novembro de 1971, o Irã tomou Abu Musa.
Operação
Ao amanhecer de 29 de novembro de 1971, helicópteros sobrevoaram Abu Musa e lançaram panfletos, escritos em persa, instruindo os moradores, em sua maioria agricultores e pescadores, a se renderem. Às 17h30 do dia 29 de novembro de 1971, um contingente do exército iraniano, apoiado por forças da Marinha Imperial Iraniana, invadiu as ilhas Tunbs Maior e Menor. Em Tunbs, o governante de Ras Al Khaimah, Xeique Saqr bin Mohammed Al Qasimi, que não tinha um acordo assinado com o Irã, resistiu às tropas iranianas. Em Tunb Maior, os iranianos ordenaram que os seis policiais ali estacionados baixassem a bandeira. Salem Suhail bin Khamis, o chefe de polícia, recusou-se a obedecer e foi morto a tiros. Os policiais em Tunb Maior entraram em confronto com as tropas iranianas e, na escaramuça que se seguiu, quatro policiais de Ras Al Khaimah e três soldados iranianos foram mortos. As tropas iranianas então demoliram a delegacia de polícia, a escola e várias casas, e forçaram os nativos a deixar a ilha. Os corpos dos falecidos foram enterrados na ilha e os moradores foram colocados em barcos de pesca e expulsos para Ras Al Khaimah. As forças navais iranianas tomaram as ilhas com pouca resistência da pequena força policial árabe ali estacionada. A população da Grande Tunb em 1971 era de 150 habitantes. De acordo com o autor Richard N. Schofield, uma fonte afirma que os 120 civis árabes da Grande Tunb foram então deportados, mas de acordo com outros relatos, a ilha já estava desabitada há algum tempo. Em 30 de novembro de 1971, um contingente iraniano desembarcou em Abu Musa para ocupar a parte da ilha mencionada no memorando de entendimento com Sharjah. Era liderado pelo comandante da marinha, que foi recebido pelo vice-governante de Sharjah e alguns assessores. No mesmo dia, o primeiro-ministro iraniano anunciou oficialmente a tomada das ilhas Grande e Pequena Tunb e a ocupação parcial de Abu Musa, declarando que a bandeira iraniana havia sido hasteada no topo do Monte Haifa, o ponto mais alto de Abu Musa. Também afirmou que a soberania do Irã sobre as ilhas havia sido restaurada após longas negociações com o governo britânico e declarou que o Irã não abandonaria sua soberania sobre toda Abu Musa e, portanto, a presença de autoridades locais em certas partes da ilha era incompatível com a soberania iraniana sobre toda a ilha.
Baixas O Irã anunciou que três de seus soldados foram mortos e um ficou ferido, além de ter matado quatro policiais e ferido outros cinco. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que um policial morreu enquanto defendia a ilha.
Consequências O Irã justificou a tomada, alegando que as ilhas faziam parte do Império Persa desde o século VI a.C. A alegação foi contestada pelos Emirados Árabes Unidos, que afirmaram que os árabes mantinham o controle e a soberania das ilhas desde o século VII a.C. No entanto, não há documentação sobrevivente dos tempos pré-coloniais relativa à soberania das ilhas. O registro mais antigo conhecido sobre a soberania é um relatório dos portugueses de 1518, que afirma que as ilhas eram habitadas e governadas por árabes. Antes da tomada iraniana, as ilhas Grande e Pequena Tunbs eram administradas pelo emirado de Sharjah e, em 1972, em parte devido ao descontentamento com a aceitação, por parte do governo de Sharjah, da tomada de poder pelo Irã, forças dissidentes tentaram realizar um golpe de Estado que resultou na morte do emir Khalid bin Muhammad Al Qasimi. Nas décadas que se seguiram à tomada iraniana, a questão permaneceu como fonte de atrito entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã. As negociações entre os dois países em 1992 fracassaram. Os Emirados Árabes Unidos tentaram levar a disputa ao Tribunal Internacional de Justiça, mas o Irã recusou. O Irã afirma que as ilhas sempre lhe pertenceram, pois nunca renunciou à posse das mesmas, e que elas fazem parte do território iraniano. Os Emirados Árabes Unidos argumentam que as ilhas estiveram sob o controle dos xeiques Qasimis ao longo do século XIX, cujos direitos foram então herdados pelos Emirados Árabes Unidos em 1971. O Irã contesta, afirmando que os governantes locais Qasimis, durante uma parte relevante do século XIX, estavam, na verdade, baseados na costa iraniana, e não na árabe, e, portanto, tornaram-se súditos persas. Em 1980, os Emirados Árabes Unidos levaram sua reivindicação às Nações Unidas, mas a reivindicação foi adiada pelo Conselho de Segurança da ONU na época e não foi revisitada. De acordo com o autor Thomas Mattair, diretor executivo do Middle East Policy Council (MEPC), dado que o Irã se recusou consistentemente a considerar a mediação ou arbitragem de terceiros, como o Tribunal Internacional de Justiça, ele considera a invasão iraniana uma violação do Artigo 33 da Carta das Nações Unidas.
Nota Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Seizure of Abu Musa and the Greater and Lesser Tunbs».
Referências