A Associação Internacional de Boxe (em inglês: International Boxing Association, IBA), anteriormente conhecida como Associação Internacional de Boxe Amador (Association Internationale de Boxe Amateur, AIBA), é uma organização esportiva que governou o boxe amador e olímpico em nível mundial. Fundada em 1946, a organização foi expulsa do movimento olímpico pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2023, após décadas de controvérsias envolvendo corrupção, má gestão financeira e problemas de governança. A IBA foi a primeira federação internacional a ser expulsa do COI em toda a história do movimento olímpico. Desde a suspensão em 2019, o boxe nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 foi organizado diretamente pelo COI, sem envolvimento da IBA. Em 2025, o COI reconheceu provisoriamente a World Boxing como nova federação internacional de boxe, abrindo caminho para a permanência do esporte nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

História

Fundação e primeiros anos A história da organização remonta a 1920, quando foi criada a Federação Internacional de Boxe Amador (FIBA) durante os Jogos Olímpicos de Antuérpia.[carece de fontes]? A FIBA desempenhou papel importante no desenvolvimento do boxe olímpico ao acelerar a organização de competições internacionais. Em novembro de 1946, representantes da Inglaterra, França, Bélgica, Brasil e Holanda se reuniram em Paris e fundaram a Associação Internacional de Boxe Amador (AIBA), substituindo a FIBA que havia sido dissolvida. O francês Émile Grémaux foi eleito o primeiro presidente da AIBA.

Mudanças de nomenclatura Em 2007, a AIBA alterou sua denominação oficial para "International Boxing Association" (Associação Internacional de Boxe), mas manteve a sigla AIBA. Em dezembro de 2021, durante um Congresso Extraordinário que marcou o 75o aniversário da organização, foi oficialmente adotada a sigla IBA, acompanhada de novo logotipo. A mudança buscava enfatizar o papel da organização em todas as modalidades do boxe, não apenas no boxe amador.

Controvérsias e problemas de governança

Presidência de Anwar Chowdhry (1986-2006) O paquistanês Anwar Chowdhry foi presidente da AIBA de 1986 a 2006. Seu mandato de 20 anos foi marcado por numerosas acusações de corrupção e má gestão financeira. Os primeiros Jogos Olímpicos sob sua presidência, Seul 1988, foram marcados por escândalo de corrupção de árbitros, quando juízes foram suspensos após receberem presentes de autoridades sul-coreanas para favorecer boxeadores locais. Em 2005, o COI congelou 9 milhões de dólares em financiamento à AIBA até que a organização estabelecesse cronograma claro para reformas na arbitragem. Em 2006, Chowdhry foi derrotado na eleição presidencial pelo taiwanês Wu Ching-kuo, em votação de 83 a 79. A campanha foi marcada por acusações de suborno de ambos os candidatos. Em 2007, Chowdhry foi banido vitaliciamente de qualquer atividade relacionada à AIBA após relatório da Comissão de Ética apontar irregularidades financeiras, incluindo apropriação indevida de centenas de milhares de dólares dos fundos da federação. O relatório descreveu os anos de Chowdhry como uma saga de má gestão, negligência, falta de governança, ganância e possíveis atos criminosos.

Presidência de Wu Ching-kuo (2006-2017) Wu Ching-kuo, que também era membro do Comitê Executivo do COI, assumiu a presidência em 2006 com promessas de reformas. Sob sua liderança, a AIBA tentou expandir-se para o boxe profissional, criando a AIBA Pro Boxing (APB) e a World Series of Boxing (WSB). Ambas as iniciativas foram posteriormente abandonadas devido a problemas financeiros. Problemas financeiros graves surgiram durante o mandato de Wu. Em 2017, a empresa azerbaijana Benkons exigiu o pagamento imediato de empréstimo de 10 milhões de dólares concedido em 2011, valor superior ao total disponível nas contas da AIBA. A empresa de Hong Kong FCIT também enviou aviso legal exigindo o retorno de empréstimo de 19 milhões de francos suíços. Em julho de 2017, o Comitê Executivo da AIBA aprovou moção de desconfiança contra Wu e criou Comitê de Gestão Interino para impedi-lo de ter controle financeiro sobre a organização. Wu foi suspenso provisoriamente em outubro de 2017 e renunciou em novembro do mesmo ano. Em 2018, Wu foi banido vitaliciamente de qualquer envolvimento com o boxe amador por negligência grave e má gestão financeira.

Presidência de Gafur Rakhimov (2018-2019) Em novembro de 2018, o empresário azerbaijano Gafur Rakhimov foi eleito presidente durante Congresso da AIBA em Moscou. No entanto, Rakhimov estava na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, descrito como chefe de crime organizado, acusações que ele negou. Sua eleição causou grande preocupação no COI e acelerou a deterioração das relações entre as duas organizações. Rakhimov renunciou em julho de 2019, um mês após o COI suspender a AIBA.

Presidência de Umar Kremlev (2020-presente) Umar Kremlev, funcionário esportivo russo e aliado próximo do presidente Vladimir Putin, foi eleito presidente da IBA em dezembro de 2020 com 57,33% dos votos. Uma das primeiras ações de Kremlev foi estabelecer patrocínio com a Gazprom, empresa estatal russa de energia controlada pelo governo russo. O patrocínio da Gazprom ajudou a pagar as dívidas da IBA, mas gerou forte oposição do COI, especialmente após a invasão russa da Ucrânia em 2022. Kremlev transferiu grande parte das operações da IBA para a Rússia e, em outubro de 2022, levantou a proibição de atletas russos e bielorrussos competirem sob suas bandeiras nacionais, contrariando recomendações do COI. Em maio de 2023, Kremlev anunciou que o contrato com a Gazprom havia terminado em dezembro de 2022. No entanto, em agosto de 2024, o diretor executivo britânico da IBA, Chris Roberts, confirmou que a Gazprom ainda era patrocinadora da organização. Em 2022, membros do Comitê Executivo da IBA votaram contra a realização de eleições presidenciais por 106 a 36, permitindo que Kremlev permanecesse no cargo sem enfrentar desafio eleitoral.

Suspensão e expulsão pelo COI

Suspensão em 2019 Em 26 de junho de 2019, o COI suspendeu o reconhecimento da AIBA devido a problemas persistentes de governança, finanças e integridade das competições. Embora houvesse fundamentos suficientes para retirar o reconhecimento da AIBA, o COI decidiu conceder oportunidade excepcional para que a organização restaurasse sua conformidade com a Carta Olímpica, a fim de proteger os atletas de boxe e manter o esporte nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Como consequência da suspensão, o COI assumiu diretamente a organização do torneio de boxe nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e, posteriormente, nos Jogos de Paris 2024.

Expulsão em 2023 Em 7 de junho de 2023, o Comitê Executivo do COI recomendou à Sessão do COI a retirada do reconhecimento da IBA, com base em relatório abrangente sobre a situação da organização datado de 2 de junho de 2023. O relatório concluiu que a IBA não conseguiu cumprir as condições estabelecidas pelo COI em dezembro de 2021 para o levantamento da suspensão. Em 22 de junho de 2023, durante Sessão Extraordinária realizada remotamente, o COI votou pela expulsão da IBA do movimento olímpico por 69 votos a favor, 1 contra e 10 abstenções. Foi a primeira vez na história que uma federação internacional foi expulsa do COI. O presidente do COI, Thomas Bach, declarou que a organização não tinha problemas com o boxe ou com os boxeadores, mas sim com a governança da IBA, afirmando que os boxeadores merecem ser governados por federação internacional com integridade e transparência. A IBA criticou a decisão como catastrófica para o boxe global e que contradizia as alegações do COI de agir no melhor interesse do boxe e dos atletas. A organização comparou a expulsão à declaração de guerra da Alemanha Nazista contra a União Soviética, cuja data coincidia com o aniversário da votação.

World Boxing Em resposta à crise na IBA, um grupo de federações nacionais conhecidas como Common Cause Alliance (Aliança de Causa Comum) foi formado em 2022, demandando maior transparência sobre as finanças da IBA e o patrocínio da Gazprom. Em 13 de abril de 2023, foi lançada a World Boxing como organização concorrente, com o holandês Boris van der Vorst como presidente inaugural. Em 26 de fevereiro de 2025, o COI concedeu reconhecimento provisório à World Boxing após a organização atingir critérios de alcance e integridade, contando com 78 federações nacionais filiadas. A decisão abre caminho para que o boxe seja incluído no programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Estrutura organizacional A IBA é sediada em Lausanne, na Suíça, e conta com 198 federações nacionais de boxe como membros. As federações nacionais estão organizadas em cinco confederações continentais: Confederação Africana de Boxe, Confederação Americana de Boxe, Confederação Asiática de Boxe, Confederação Europeia de Boxe e Confederação de Boxe da Oceania. O principal órgão de decisão da IBA é o Congresso, onde as federações nacionais têm direito a voto. Umar Kremlev atua como presidente desde 2020.

Ver também Boxe Boxe nos Jogos Olímpicos World Boxing Comitê Olímpico Internacional

Referências

Ligações externas «Sítio oficial da IBA» (em inglês) «Sítio oficial da World Boxing» (em inglês)