A língua suki, também conhecida como wiram ou em sua forma mais antiga, nausaku, e pelos seus falantes como suki gi ("língua suki", em português), sukiderete gi ("língua do povo suki", em português) ou, o mais comum, abane gi ("nossa língua", em português) é uma isolada pertencente ao subgrupo suki-gogodala da família Trans-Nova Guiné, utilizada pelo povo indígena suki, na Província Ocidental de Papua Nova Guiné a sudoeste do Rio Fly. O idioma conta com cerca de 7.500 falantes e se encontra em desenvolvimento, fora de risco de extinção. Apesar de ser uma língua em desenvolvimento, os falantes de suki representam menos de 5% da população total da província e não é um dos idiomas oficiais do país. Os idiomas oficiais são o Inglês, Hiri Motu e o Tok Pisin que têm bastante influência na língua suki.
Etimologia O termo Suki é um exônimo, ou seja, é um nome dado por estrangeiros. Segundo a história, os nativos pediram "Zuki, zuki!" (uma adaga usada por eles para fins de caça na época) aos primeiros exploradores do rio Fly, que acabaram por confundir o pedido com uma apresentação dos nativos, além de não conseguirem distinguir a entonação das letras "s" e "z", interpretando Zuki como Suki. Hoje, no entanto, o nome foi adotado e é frequentemente usado pelo povo suki. Outro exônimo conhecido mas não adotado pelo povo suki é o nome Wiram (ou Biram), mas que ainda é usado pelos moradores ao sul de Suki para se referir àqueles que moram ao norte.
Distribuição
A língua suki é falada por diversas vilas ao longo do rio Fly na Província Ocidental de Papua Nova Guiné, incluindo Pukaduka, Sapuka, Eniyawa, Aewe, Gigwa, Riku, Riti, Kautru, Nakaku, Gwibaku e Namgawa. Também é falada em Gwaku, uma vila Arammba, mas que predominantemente fala suki em razão dos casamentos com pessoas de Aewe e de sua intrínseca ligação com Aewe, Riti e Kautru, tanto que muitas vezes é considerado como parte da área falante de suki. Há algumas variações lexicais, gramaticais e fonológicas entre as vilas falantes de suki mas não tão distinto a ponto de dificultar a comunicação. Além disso, Daru, a capital da província, e Kiunga, uma cidade portuária no rio Fly, também têm uma parcela significativa de pessoas suki, uma vez que são destinos populares de viagem. Apesar de possuir poucos falantes, suki abrange uma área muito maior que a maioria das línguas faladas a leste e sul, além de ser falada por cinco comunidades distintas. Os falantes de suki consideram sua língua muito simples, então muitos dos falantes não são nativos, mas se relacionam com os nativos ou residem na área. As crianças são ensinadas a ler e a escrever suki na escola primária mas depois continuam os estudos apenas em inglês, uma das línguas francas do país.
Línguas relacionadas A língua suki pertence ao subgrupo suki-gogodala, que engloba línguas na área do rio Fly, na província Ocidental de Papua Nova Guiné. A língua mais próxima de suki é a gogodala, que é falada do outro lado do rio Fly.
História A língua suki é falada por cinco grupos sociais que compartilham um idioma, histórias de origem e uma estrutura social, embora não se organizassem como uma unidade antes de serem nomeados assim. Esses grupos são: Gwider, Garimti, Tidimder, Buyamu e Madamti. Em tempos antigos, os ataques de caça e as cerimônias de iniciação eram organizados em grupo, unindo todos esses grupos. Mas após a Segunda Guerra Mundial a política governamental e a missão orientaram as pessoas a saírem de seus povoados dispersos pelo território e a se mudarem para aldeias de fácil acesso, assim cada um dos grupos formou sua própria aldeia ou se expandiu em várias aldeias. Mas os grupos ainda estão representados pelas principais aldeias Suki hoje.
História da documentação Entre 1944 e 1979, missionários residiram em Suki, incluindo o australiano Grahame Martin que morou na região por mais de uma década, a fim de transmitir o cristianismo. Mas esses projetos missionários além de transmitir a religião, foram de grande ajuda para o avanço do estudo da língua suki. Em 1944, em Gigwa, se estabeleceu a Unevangelised Fields Mission (UFM que depois se tornou a Asia Pacific Christian Mission), precussora da Igreja Evangélica de Papua Nova Guiné (ECPNG ou ECP). Embora a ECP tenha sido por muito tempo a única e principal denominação na área, outras igrejas e fés têm surgido e ganhado lugar entre os não cristãos, como a Fé Bahá'í. Em 1981, foi publicado o Godte gi amkari titrum ine [Novo Testamento suki] por Midim, Bidri, Ivy Lindsay & Grahame Martin, que permanece como uma referência essencial para a compreensão do idioma.
Fonologia
Consoantes A língua suki conta com 13 consoantes e diferente das outras línguas Trans-Nova Guiné, que só têm uma fricativa, suki tem duas, /s/ e /z/, mas não tem a lateral alveolar que as outras línguas TNG têm. Além disso, todas as consoantes, exceto /z/, podem ser sílabas de coda.
Alofones Os fonemas /p/, /d/, /t/, /s/, /z/ e /m/ não têm variações alofônicas. A plosiva bilabial /b/, no entanto, pode ser lenizada intervocicamente, ou seja, a consoante pode "suavizar" quando estiver no meio de duas vogais, no caso de /b/ para /β/ ou /w/ nas vilas de Aewe e Riku, como no exemplo:
[ebe]~[eβe]~[ewe] "para você"; "para nós". Os fonemas velares /k/ e /g/ são palatalizados no início de palavras quando precedidas pela vogal /e/, como ocorre nos exemplos abaixo:
/keke/ [kjeke] "tarde". /gege/ [gjege] "fome". Um caso especial ocorre em "meninas", em que o primeiro /g/ se torna uvular /ɢ/, isso só ocorre com essa palavra:
/zwagi/ [zwagi] "menina". /zwagagi/ [zwaɢagi] "meninas". A nasal alveolar /n/ pode ocorrer como uma geminada, ou seja, tem uma pronúncia mais longa ou duplicada, um exemplo ocorre em:
/nunnu/ [nunːu] "medo". Além disso, em sílabas iniciais de palavras, quando há uma sequencia de vogal e /n/ numa posição de coda, o /n/ pode ser variado para uma vogal nasal. Esse padrão é mais aparente quando a segunda sílaba começa com uma consoante velar ou alveolar, e, com a presença de uma consoante aproximante (/j/, /w/) no início da primeira sílaba, se torna regra. Observe os exemplos:
/juntu/ [jũtu] yũtu "irmã mais nova". /wantru/ [wãtru] wãtru "quente". Quando a sílaba não começa com uma consoante aproximante e a consoante inicial da segunda sílaba é desvozeada (//t/, /k/), a /n/ se mantém imutável. No entanto, algumas palavras recebem vogal nasal antes de /k/, como por exemplo:
/ankaka/ [ãkaka] ãkaka "árvore". Quando a sílaba não começa com uma consoante aproximante e a consoante inicial da segunda sílaba é vozeada (/d/, /g/), há variação da /n/ para vogal nasal e, /n/ é tida como /ŋ/ antes de /g/. Exemplos:
/singri/ [siŋgri]~[sĩgri] "planta". /kindi/ [kindi]~[kĩdi] "pimenta". Entretanto, existem duas palavras monomorfêmicas /ɡanɡari/ e /anɡwa/, que têm uma sequência de vogal oral e /n/, contrário aos padrões descritos anteriormente. Essas palavras contrastam com /ganga/, observe:
/gangari/ [ɡanɡari] "florescer". /angwa/ [anɡwa] "puxar". /ganga/ [gaŋga]~[gãga] "roncar". Também ocorrem vogais nasais quando elas vêm antes de aproximantes ou da fricativa /s/ na sílaba inicial, mas só em alguns monossílabos. Observe os exemplos abaixo:
/inje/ [ĩje] ĩye "noite"; "escuro". /junsa/ [jũsa] yũsa "magro"; "fino". /tan/ [tã] tã "raiz".
Vogais Em estudos linguísticos anteriores foi proposto que a língua tivesse cinco fonemas vocálicos: /i/ [ i , ʟ , e], /e/ [ɛ, æ], /a/ [a, ɑ], /o/ [o, ɔ], /u/ [u, ʊ]; mas em estudos mais recentes foram reconhecidas somente quatro qualidades vocálicas orais /i/, /e/, /a/, /u/. O fonema vocálico /o/ foi tido como uma quinta vogal oral marginal, sendo usado somente em impréstimos linguísticos do inglês (como por exemplo: /o/ "or") ou em nomes próprios de origem não-suki (como por exemplo Gomeyelato, um nome feminino Gogodala). A língua possui oito fonemas vocálicos: quatro qualidades vocálicas orais (/i/, /e/, /a/, /u/) e quatro qualidades vocálicas nasais (/ĩ/, /ẽ/, /ã/, /ũ/).
Ortografia O sistema de escrita usado pela língua é o alfabeto latino, mas possui somente 21 grafemas, dos quais 8 representam as vogais e 13 as consoantes. A língua utiliza somente um diacrítico: o til (~) para indicar a nasalidade das vogais. A direção da escrita é feita da esquerda para a direita.
Gramática
Pronomes
Pronomes pessoais Os pronomes em suki são bastante usados e distinguem-se em pessoa (1, 2 e 3) e número (singular e plural). Os pronomes pessoais podem funcionar como adjuntos, argumentos e predicados não-verbais. A primeira pessoa do plural e a segunda pessoa do singular são homófonas em todos os tipos de pronomes, exceto nos possessivos e em seus derivados. A maioria dos pronomes é constituída basicamente pela base nominativa, que é a base que serve para formar outros pronomes, acrescida do marcador de caso relevante ou de enclíticos de restrição/especificidade, mas os possessivos de primeira pessoa do singular e do plural são irregulares. Além disso, suki não exige que seus argumentos de sujeito, objeto direto e indireto sejam representados por constituintes explícitos.
Os pronomes são usados principalmente para referenciar seres animados. A terceira pessoa, formas acusativas e possessivas, no entanto, também podem ser usadas para referenciar seres inanimados, como no exemplo abaixo:
Rik rarru ri ubuk umde 'ri't giyerete. "O caroço de uma fruta de árvore, você também pode chamá-lo de 'ri'." Objetos inanimados geralmente são mencionados usando demonstrativos ou sintagmas nominais completos.
Verbos Os verbos são, morfologicamente, a classe de palavras mais complexa da língua suki. Os verbos flexionam-se em: tempo, aspecto, modo e polaridade (tamp) e indexam até três argumentos: sujeito, objeto direto e indireto. A estrutura templática depende, em partes, da transitividade do verbo. Além disso, predicações não-verbais e copulativas são muito comuns em suki.
Classes verbais Existem sete classes verbais em suki, diferenciadas de acordo com suas construções morfológicas do radical.
Para os verbos intransitivos e médios, a raiz é diferenciada pelo número de seu argumento, já para os verbos transitivos, a raiz é diferenciada pelo número de seu argumento de objeto direto.
Tempos verbais Tempo, aspecto, modo e polaridade de suki são expressos por uma combinação de flexão da morfologia verbal e da cláusula TPU.
Pretérito O pretérito é usado para falar de qualquer momento anterior ao momento presente. Existem duas diferenciações no pretérito: o passado perfeito e o passado progressivo. Os verbos no passado perfeito e passado progressivo são geralmente encontrados em orações insubordinadas adverbiais. O verbo no passado perfeito é formado por um marcador zero tamp e flexões do sujeito no pretérito. O passado perfeito apresenta o evento como um único todo, sem uma estrutura interna. Exemplo:
Saturdayb meb bayekap ubuk tiune. "Vocês olharam muito para ela no sábado." O verbo no passado progressivo é formado por um marcador tamp -r, flexões do sujeito no pretérito e um padrão reduplicativo. O passado progressivo apresenta o evento como em andamento no momento. Exemplo:
Nek gat riyura rugyenenini. "Eu estava me sentindo envergonhada."
Presente O presente só tem uma única forma, o presente progressivo (ou simplesmente presente). O verbo no presente progressivo é formado por um marcador tamp -r, flexão do sujeito no presente e um padrão reduplicativo na primeira e segunda pessoas do plural. A TPU foco no constituinte =t=ma ~ =t=ki (ou =t=ka quando posicionado no fim da oração) é a TPU mas comum em orações no presente. Exemplo:
Giberi [wapa azimu]nki auki nan. "Giberi está comendo sagu seco."
Futuro O futuro é principalmente usado para falar de eventos futuros, tanto eventos planejados quanto previsíveis. O verbo no futuro é formado por um marcador tamp -reter e flexões do sujeito no futuro (opcional). A TPU de imediaticidade ki é a TPU padrão usada para orações no futuro. Exemplo:
Ma, mummy ki ek zirap 'aprate. "Vamos lá, 'mamãe' vai te alimentar rapidinho."
Negação O idioma possui duas estratégias principais de negação: a negação clausal e a negação constitutiva. A negação clausal tanto no presente quanto no passado utiliza a TPU negativa nait e formas verbais específicas: no passado negativo, usa-se o marcador tamp -rnat e flexões do sujeito no pretérito e no presente negativo, usa-se o marcador tamp -rum sem flexões do sujeito. Já no futuro negativo são usadas formas verbais regulares com -rete (forma curta) ou -reter (forma longa), com flexões do sujeito no futuro, combinadas com a TPU negativa de futuro katiti. Na negação constitutiva a partícula negativa meku é empregada combinada com uma TPU foco na constituinte irrealis =ø=ma ∼ =ø=ki/ka cliticizada no constituinte negado, enquanto o verbo aparece numa forma regular. Geralmente ocorre no pretérito e no presente, mas raramente ocorre no futuro.
Negação no pretérito O passado negativo é usado para eventos que não aconteceram em um determinado momento, e é considerado uma negação perfeita. Em situações em que eventos do passado continuam sem ocorrer, é considerado uma negação imperfeita e usa-se uma estratégia de negação privativa, um tipo alternativo da estratégia de negação clausal que usa um particípio de marcador privativo, nakap. Exemplo:
kemne Junia ubut number nait atarnati. "Por causa disso, Junior não lhe deu o número (de telefone)." (negação clausal perfeita) [De nennakap irete], ne ki rugye reportwarete. "Se vocês não forem, eu vou reclamar." (negação clausal imperfeita) U enep meku [rubberyap]aki atati. "Ontem ele não só tocou (no assunto da) borracha." (negação constitutiva)
Negação no presente O presente negativo é usado para eventos que não estão acontecendo no momento da fala, incluindo eventos que geralmente não acontecem e eventos que ainda não aconteceram. Exemplo:
Nasibye nait yanap rugyerumku, paudeki eim unum? "Nasi (ainda) não voltou esta manhã, por que está demorando tanto?" (negação clausal) Nek itu daru nait tikanemnum. "Ninguém nunca me ajuda." (negação clausal) Meku de [gabunimni niye]ki awap ninene. "A água que você está bebendo esses dias não é boa." (negação constitutiva)
Negação no futuro O futuro negativo é usado para eventos que não vão, não podem e nem devem ocorrer. Exemplo:
Ne kakiti dek tikademnete. "Eu não vou te ajudar." A negação constitutiva no futuro é bastante rara e faz uso da TPU somente-realidade =t, em que a variante irrealis é =ø , compatível com as orações no futuro. O exemplo abaixo é uma construção no futuro com predicação não-verbal e o verbo copulativo i ("ser", em português):
Keikir rarru gitru ine meku bayenimniki irate. "Os custos não serão muito grandes." (negação constitutiva)
Sentenças Suki apresenta alinhamento nominativo-acusativo e, para verbos bitransitivos, alinhamento indiretivo. A ordem da frase em suki é determinada principalmente pela estrutura da informação. Suki é uma língua predominantemente SOV, uma vez que o verbo sempre vem no final das frases, no entanto, mesmo que seja predominante, essa ordem não reflete completamente a variação da fala cotidiana. Em orações de foco amplo, que tem uma partícula tamp (TPU) independente, a ordem é: tópico-TPU-foco. Em situações em que a estrutura da informação não tem influência ou tem influência limitada, há uma pressão maior por SOV. Em orações subordinadas ou quando o sujeito e o objeto são pronominais, o sujeito vem primeiro. Em orações sem tópico, o sujeito também precede a TPU, uma vez que a TPU nunca pode iniciar orações, exceto em um tipo específico de oração relativa, e também nunca pode vir depois da predicação verbal, exceto em uma oração insubordinada.
Estrutura de uma construção não-verbal Predicação não verbal e copulativa é muito usada na língua suki. Praticamente qualquer frase pode funcionar como um predicado, se não diretamente, com o auxílio de modificações.
Presente As construções não verbais no presente geralmente empregam o marcador de tópico ka. A ordem da frase é: sujeito-predicativo-TPU. Assim como em qualquer frase principal suki, ela inclui uma unidade de partícula tamp (tempo-aspecto-modo-polaridade). Exemplo:
[Ubte amu] ka [agaye zwagi]rka. "A mãe dela é uma garota do clã Crocodilo." Também existem algumas predicações não-verbais com uma unidade de partícula tamp independente, situada entre o sujeito e o predicado, como no exemplo abaixo:
Ba, ne maga [Sukine atu], kemne [itu ine] [nai]nka. "Mas eu sou uma mulher Suki, portanto isso não importa."
Negação A predicação não-verbal negativa sem um verbo copulativo é constituído por meku, uma palavra que indica negação, e uma versão irrealis da partícula tamp cliticizada, como mostrado no exemplo abaixo:
Meku ne daruma, ne ek nimat. "Eu não sou o tipo de homem que machucaria você."
Futuro e Pretérito Todas as frases predicativas não verbais no futuro e a maioria das frases no pretérito precisam de um verbo copulativo, que geralmente é o verbo i ("ser"/"estar", em português). Nesses casos o verbo copulativo ocupa a posição final e o predicado não-verbal imediadatemente precede e hospeda a partícula tamp. É importante lembrar que o verbo copulativo e o marcador de tópico não podem coexistir numa frase, observe:
[Niye] [tanunimni]t irete. "A água estará muito clara."
Negação As predicações não-verbais negativas com um verbo copulativo aderem a estratégia usada em orações negativas. No pretérito, a partícula tamp é nait e o verbo copulativo está no passado. Já no futuro, a partícula tamp é kakiti e o verbo copulativo está no futuro. Observe os exemplos:
Ba u nait irnawap irnati. "Mas não funcionou." [Ubte scoring] kakiti gabuti irete. "A pontuação dela não será boa."
Vocabulário
Graus de parentesco A maioria dos termos para designar parentesco em suki são usados tanto para referência e endereço. Os graus de parentesco não são diádicos, cada uma das duas pessoas na relação usa um termo diferente para o outro. Suki é uma sociedade patriarcal, então existe um conjunto de termos reservados para o pai, filhos e aqueles pertencentes ao clã do pai. Há um conjunto de termos diferente separado para a mãe e aqueles pertencentes ao clã da mãe. Na tabela abaixo, estão listados termos usados tanto por homens quanto por mulheres.
Números
Numerais cardinais Os falantes de suki geralmente só usam os números cardinais um e dois em suki e, a partir do três em diante, usam os números em inglês. Um exemplo disso pode ser observado em:
Bide kakitapa gwama, menes, three gwama ma ki ruri? "há quantos anos (atrás), dois, três anos, que você foi embora?"
O sistema é de base cinco, referindo-se às mãos. Além disso, os numerais com valores mais altos são conhecidos somente por falantes com idade avançada ou por professores.
Numerais ordinais Os números ordinais, assim como os adjetivos, ocorrem tanto antes de nomes quanto depois deles, mas não podem aceitar o marcador de especificidade quando usados pronominalmente, ou quando funcionam como predicados não-verbais. Existem três palavras com significados ordinais, são elas:
As palavras nupyer e gwarwar são particípios regulares dos verbos nupye ("ser o primeiro", em português) e gwarwa ("ser o último", em português), que por sua vez derivam de nupu ("previamente", em português) e gwara ("mais tarde"; "depois", em português). Já o ordinal eimawatap existe junto do advérbio eimawatap ("finalmente"; "por fim", em português).
Períodos do dia
Alguns exemplos, são:
Gabunimni yanap! "Bom dia!" Apap, kiyer ka u [freebye]rka. "Agora, durante o dia, ela está totalmente livre." E ki girete, abid, kyeker [kukade patumbe]. "Iremos, seu pai e eu, à tarde, checar a rede de pesca." Ĩyen e mem moviekat [eiki tirererim], mute. "Na noite passada nós estávamos (sentados) assistindo esse filme, olha."
Referências
Bibliografia van Tongeren, Charlotte (2023). A grammar of Suki [Uma gramática de Suki] (Tese de PhD) (em inglês). Australian National University. Williams, F. E. (1969). Papuans of the Trans-Fly [Papuanos de Trans-Fly] (em inglês). Oxford: The Clarendon Press. ISBN 978-9980879783 Voorhoeve, C. L. (1975). «Central and Western Trans-New Guinea Phylum Languages». In: Wurm, S. A. New Guinea area languages and language study, Vol. 1, Papuan languages and the New Guinea linguistic scene [Línguas das áreas de Nova Guiné e estudo linguístico, vol. 1, Línguas papuanas e a cena linguística de Nova Guiné] (em inglês). Canberra: Pacific Linguistics. 116 páginas. doi:10.15144/PL-C38.345