A crise cubana de 2026 é um conflito político e económico que começou a 3 de janeiro de 2026, após a intervenção norte-americana na Venezuela, na qual forças dos Estados Unidos derrubaram o líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado-chave do governo cubano, bloqueando o fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba e declararam a sua intenção de promover uma mudança de regime na ilha até ao final de 2026. Os Estados Unidos começaram a bloquear os petroleiros que se dirigiam a Cuba, incluindo petroleiros da empresa estatal mexicana Pemex, ameaçando aplicar tarifas aduaneiras aos países que resistissem. A estratégia norte-americana tem sido vista como uma política de "pau e cenoura", propondo um compromisso caso as elites cubanas aceitem, ou uma revolta provocada pela fome caso não o façam. O presidente Trump apelou a Cuba para que "chegue a um acordo antes que seja demasiado tarde" e, em tom de brincadeira, chamou a Marco Rubio "um próximo presidente de Cuba", sugerindo que poderia ter um papel relevante numa eventual transição. Esta é considerada a maior crise no país desde a crise dos mísseis de 1962.
Desenvolvimento
Antecedentes Após o ataque norte-americano à Venezuela a 3 de janeiro de 2026, o petróleo venezuelano que abastecia Cuba foi interrompido pela Marinha dos Estados Unidos. O Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio confirmou que Cuba é o próximo país cujo regime deverá mudar. Os Estados Unidos confirmaram que a mudança de regime é um objectivo para finais de ano. A 11 de janeiro de 2026, Donald Trump ligou ao governo de Díaz-Canel para "fazer um acordo antes de que seja demasiado tarde". Cuba já enfrentava problemas de eletricidade e de petróleo antes da destituição de Maduro, o que provocou apagões e protestos em 2024 e 2025.
Tarifas a países que fornecem petróleo a Cuba O presidente Trump ameaçou a empresa estatal mexicana Pemex com impostos se continuasse a distribuição de petróleo a Havana e Santiago de Cuba. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que a decisão de deter as entregas de petróleo é "soberana".
Apagões em Cuba Sob pressão dos Estados Unidos, Cuba registou cortes de energia que resultaram em apagões totais nas províncias orientais de Guantánamo, Santiago de Cuba, Holguín e Granma, enquanto a parte ocidental da ilha e Havana enfrentavam graves dificuldades elétricas. A 16 de março, o sistema de energia de Cuba colapsou provocando um apagão em todo o país.
Escassez de combustível para aeronaves A 9 de fevereiro, Cuba declarou que não reabasteceria outras aeronaves nos aeroportos por falta de combustível.
Resposta do governo cubano Inicialmente, Miguel Díaz-Canel utilizou uma retórica belicista contra o "imperialismo norte-americano" e apelou à população para se preparar para uma "guerra de toda a nação", ao mesmo tempo que organizava manifestações estatais contra o bloqueio petrolífero dos Estados Unidos. No entanto, a 6 de fevereiro, a sua retórica suavizou-se após os apagões, declarando que "Cuba está pronta para dialogar com Washington sobre qualquer tema, sem pré-requisitos", embora tenha rejeitado negociações sobre casos que considerava assuntos internos cubanos.
Reacções da oposição cubana A 6 de fevereiro, o El País realizou entrevistas com vários dissidentes cubanos, incluindo José Daniel Ferrer, Manuel Cuesta Morúa e Rosa María Payá. As suas reações foram uma combinação de esperança e de advertências contra possíveis manipulações, incluindo a perceção de que o regime cubano poderia suspender as negociações assim que a situação se estabilizasse.
Protestos anti-governamentais A 6 de fevereiro, ocorreu um protesto-panelaço massivo durante um apagão no município de Arroyo Naranjo, em Havana.
Ações internacionais México: Após a queda de Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que imporia tarifas a qualquer país que fornecesse petróleo a Cuba, incluindo o México, que, juntamente com a Venezuela, era um dos dois principais fornecedores de petróleo da ilha. O governo mexicano suspendeu temporariamente os envios de petróleo para Cuba a 27 de janeiro e a Presidente Claudia Sheinbaum afirmou que a decisão de suspender as entregas de petróleo foi "uma decisão soberana". Em fevereiro de 2026, o México enviou dois navios de ajuda humanitária para Cuba para ajudar a aliviar os impactos do embargo dos EUA. China: O O gigante asiático envia 30 mil toneladas de arroz para Cuba, em janeiro. Em março, chega a Cuba lote com nova doação de 60 mil toneladas e é anunciada uma assistência financeira de emergência de 80 milhões de dólares destinada à aquisição de equipamentos elétricos e outras necessidades urgentes. Rússia: A 30 de março, um petroleiro russo que transportava 100 000 toneladas de petróleo bruto chegou a Havana. A carga russa poderia ser convertida em 250 000 barris de gasóleo, o que poderia satisfazer a procura energética cubana durante 12 dias e meio. O jornal The Guardian defendeu que a atracagem do petroleiro russo sinaliza uma maior flexibilidade americana quanto à capacidade de Cuba comprar petróleo ao exterior.
Reacções Estados Unidos: O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que "Cuba será livre cedo" e que "seremos amáveis se o governo cubano fizer um acordo". Cuba: O presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que os EUA empregam guerra psicológica numa tentativa de desestabilizar "um país soberano".
Internacionais Brasil: O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva condenou o bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos e solicitou ajuda humanitária para os cubanos. China: O Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou: "A China apoia firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania e da sua segurança nacional e opõe-se à ingerência estrangeira", acrescentando: "Prestaremos sempre apoio e ajuda ao lado cubano na medida das nossas capacidades". México: A presidente mexicana Claudia Sheinbaum advertiu sobre uma possível crise humanitária e enviou navios com cerca de 814 toneladas de alimentos e outros bens para a ilha. Portugal: Turistas portugueses em Cuba foram evacuados e o grupo hoteleiro português Vila Galé encerrou os seus hotéis na ilha. As agências de viagem desaconselham viagens para Cuba. Rússia: O presidente russo Vladimir Putin condenou os movimentos dos EUA e afirmou que a Rússia continuará a enviar petróleo a Cuba pese às ameaças de bloqueio. Vietname: O Vietname entregou 250 toneladas de arroz a Cuba como ajuda não reembolsável, contribuindo para ajudar o país a garantir a segurança alimentar nas recentes dificuldades. ONU: O secretário-geral António Guterres afirmou estar "extremamente preocupado" com a situação humanitária em Cuba, "que vai piorar, ou mesmo entrar em colapso" se as necessidades petrolíferas do país não forem atendidas.
Ver também Apagão em Cuba em 2024 Protestos em Cuba em 2024
Referências