O fortalecimento da cooperação entre Brasil e Equador no combate ao crime organizado transnacional foi um dos principais temas abordados pelo embaixador equatoriano Carlos Alberto Velástegui em entrevista à jornalista Fabiana Ceyhan.O diplomata ressaltou que as organizações criminosas atuam além das fronteiras nacionais e representam um desafio comum aos países sul-americanos. Para ele, o enfrentamento dessas estruturas exige articulação entre os Estados, troca de informações e iniciativas conjuntas voltadas à segurança pública.No Brasil desde setembro de 2021, Velástegui também destacou os vínculos históricos entre os dois países, as perspectivas de ampliação do comércio bilateral e a orientação pragmática da política externa do presidente Daniel Noboa.A entrevista abordou ainda a preservação da Amazônia, a produção equatoriana de cacau, rosas e camarão, além do potencial turístico de um país que reúne quatro regiões de características distintas: Galápagos, Andes, Amazônia e costa.Fabiana Ceyhan — Há quanto tempo o senhor representa o Equador no Brasil e como avalia as relações entre os dois países?Carlos Alberto Velástegui — Estou em funções no Brasil desde setembro de 2021. São pouco mais de cinco anos neste maravilhoso país.Quando penso nas relações entre Equador e Brasil, não me remeto apenas a 1844, quando estabelecemos oficialmente relações diplomáticas, mas a um período muito anterior.Para o Equador, um dos primeiros contatos indiretos de relacionamento regional está associado à descoberta do rio Amazonas. Em 1541, partiu de Quito uma expedição que atravessou os Andes, alcançou a região amazônica e seguiu pelo rio Napo até o Amazonas. Em 12 de outubro de 1542, Francisco de Orellana chegou ao Atlântico.Posteriormente, ocorreram expedições em sentido inverso, partindo de Belém do Pará em direção a Quito. Nossa história está ligada desde muito antes do estabelecimento das relações diplomáticas. Em 1903, chegamos a tratar de questões de fronteira envolvendo o Barão do Rio Branco e nosso chanceler Tovar.Hoje, vivemos um momento importante dessa relação. Foi relevante a visita do presidente Daniel Noboa a Brasília, em agosto do ano passado, quando se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram assinados três memorandos de entendimento relacionados à segurança alimentar, ao combate à pobreza e à fome, à inteligência artificial e às políticas sociais.Estamos trabalhando em outros acordos, que esperamos possam avançar após as eleições presidenciais brasileiras. A visita fortaleceu a relação bilateral de maneira mais sólida e direta.Em janeiro deste ano, o chanceler brasileiro Mauro Vieira também visitou o Equador. Esperamos realizar novas reuniões de consultas políticas e continuar desenvolvendo uma agenda ampla.Fabiana Ceyhan — O combate ao crime organizado é uma prioridade para os dois países?Carlos Alberto Velástegui — Sem dúvida. A segurança pública é uma parte prioritária da nossa agenda.O crime organizado é um dos grandes desafios das sociedades, especialmente na América do Sul. São organizações que atuam sem respeitar fronteiras ou normas, comprometendo a segurança das pessoas e afetando as democracias.Praticamente a maioria dos países enfrenta as máfias do crime organizado transnacional. O Equador também enfrenta esse problema.Por isso, é indispensável um trabalho articulado entre os Estados. Nenhum país consegue enfrentar sozinho um fenômeno que ultrapassa as fronteiras nacionais.Fabiana Ceyhan — Qual é a importância da Amazônia para o Equador?Carlos Alberto Velástegui — Praticamente metade do território equatoriano é amazônico, um pouco menos da metade. Nosso país tem uma superfície aproximadamente equivalente à do estado de São Paulo.É uma região que exige atenção especial do Estado por sua riqueza natural e pela presença de povos indígenas, inclusive comunidades em isolamento voluntário.Por meio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, trabalhamos em ações voltadas à proteção dessa região.Brasil e Equador compartilham objetivos fundamentais: a defesa do bioma amazônico, a proteção ambiental e o combate às mudanças climáticas, ao desmatamento e aos crimes ambientais.Fabiana Ceyhan — Essas políticas devem transcender os governos?Carlos Alberto Velástegui — Efetivamente. São políticas de Estado. A preservação da Amazônia é prioritária não apenas para a América do Sul, mas para todo o planeta.O Equador integra o grupo dos 17 países megadiversos do mundo. Compreendemos a importância de proteger seus habitantes, florestas e animais.Assim como o Brasil, temos aproximadamente entre 22% e 23% do território em áreas protegidas. Embora nossos países tenham dimensões diferentes, compartilhamos a preocupação com a conservação ambiental.Também temos uma visão semelhante do multilateralismo. Defendemos o Estado de Direito, a democracia, os direitos humanos, a paz, o respeito aos Estados e a construção de consensos.Para nós, assim como para o Brasil, o diálogo é primordial nas relações bilaterais, regionais e internacionais.Fabiana Ceyhan — Como está o comércio bilateral?Carlos Alberto Velástegui — Temos uma relação comercial bastante assimétrica. O intercâmbio bilateral é de aproximadamente US$ 1,2 bilhão, mas mais de US$ 1 bilhão corresponde às exportações brasileiras.Os presidentes conversaram sobre a necessidade de reduzir esse desequilíbrio. Não queremos apenas aumentar o comércio, mas torná-lo mais equilibrado, de maneira que a integração beneficie ambos os países.O mercado brasileiro não é fácil, especialmente para nossos produtos agroindustriais, que competem com produtos já existentes no Brasil.Fabiana Ceyhan — Quais são os principais produtos comercializados?Carlos Alberto Velástegui — O Brasil exporta principalmente automóveis, autopeças, máquinas e aparelhos mecânicos, papel e papelão, ferro e aço, produtos químicos, telefones, medicamentos e cereais.O setor farmacêutico é relevante. As exportações brasileiras de medicamentos para o Equador representam aproximadamente US$ 44 milhões.Entre os produtos equatorianos exportados ao Brasil estão chumbo, atum, plásticos, cacau em grãos e elaborado, produtos de confeitaria, rosas, pescado fresco, têxteis e madeira.São produtos que também existem no Brasil, mas os equatorianos possuem características que os tornam atrativos.O Equador possui a maior frota atuneira do mundo e é o segundo exportador mundial de atum.Cacau: uma história de 5.300 anosFabiana Ceyhan — Qual é a importância do cacau equatoriano?Carlos Alberto Velástegui — O Equador é o primeiro exportador mundial de cacau fino de aroma, com uma participação de aproximadamente 60% a 65% nesse segmento.Esse cacau é adquirido por multinacionais e também pelo Brasil para a elaboração de produtos finais.Em 2025, fomos o terceiro exportador mundial de cacau em volume total. Esperamos alcançar a segunda posição neste ano ou no próximo.Há também uma história muito interessante relacionada à origem do cacau domesticado.Há aproximadamente 15 anos, cientistas franceses, equatorianos e de outras nacionalidades realizavam estudos arqueológicos na alta Amazônia equatoriana, na região de Palanda, na localidade de La Florida.Durante as escavações, encontraram vestígios de antigas culturas e recipientes que continham evidências de cacau domesticado, datadas de 5.300 anos.Tradicionalmente, a história do cacau era associada aos maias, há cerca de 3 mil anos. Entretanto, essas descobertas, publicadas em revistas científicas, incluindo a Science, apontam aquela região do Equador como uma área de origem do cacau domesticado.Também foram encontradas conchas Spondylus, provenientes da costa, utilizadas como adornos e símbolos de prestígio. Elas demonstram a existência de intercâmbios entre as populações amazônicas e litorâneas, pelos quais o cacau era transportado em direção ao Pacífico e, possivelmente, à Mesoamérica.Fabiana Ceyhan — Como o cacau era consumido naquela época?Carlos Alberto Velástegui — Parece que era utilizado na preparação de bebidas. Provavelmente, as populações já conheciam algumas de suas propriedades relacionadas à energia e à sensação de tranquilidade.Ainda não existia o chocolate em barra como conhecemos hoje.Carlos Alberto Velástegui — Outro produto importante são as rosas. O Equador é o segundo exportador mundial de rosas frescas.A incidência perpendicular dos raios solares na região equatorial favorece o cultivo de rosas com hastes longas, cores vivas e aroma. As rosas exportadas ao Brasil chegam principalmente a São Paulo por transporte aéreo de carga.Também somos o principal exportador mundial de madeira balsa, um produto muito leve e, ao mesmo tempo, resistente, que permite diferentes formas de corte e modelagem.Muitas fazendas recebem visitantes interessados em conhecer o cultivo das rosas.As condições geográficas do Equador, especialmente a incidência dos raios solares na região equatorial, favorecem a produção de rosas e de outros produtos agrícolas.Fabiana Ceyhan — E o camarão equatoriano?Carlos Alberto Velástegui — O Equador é o primeiro exportador mundial de camarão.Exportávamos camarão para o Brasil até dezembro de 2024, quando houve uma suspensão de sua entrada no mercado brasileiro. As vendas representavam aproximadamente entre US$ 4,5 milhões e US$ 5 milhões.Esperamos que a medida seja revogada em breve, considerando as visitas e os relatórios apresentados.O camarão equatoriano também está ligado à produção brasileira por meio de larvas e da atuação de especialistas equatorianos em aquicultura, que trabalham no Brasil há aproximadamente 30 a 35 anos.Fabiana Ceyhan — Há perspectivas de melhorar as conexões entre Brasil e Equador?Carlos Alberto Velástegui — Estamos trabalhando para retomar uma ligação aérea direta entre os dois países.Atualmente, as principais conexões são realizadas pela LATAM, via Peru; pela Avianca, via Bogotá; e pela Copa Airlines, via Panamá.A conectividade é fundamental para fortalecer o comércio e o turismo.Também existe atenção à integração multimodal entre Manaus e Guayaquil, dentro das iniciativas de infraestrutura sul-americana.O objetivo é facilitar o transporte da produção brasileira, especialmente das regiões Centro-Oeste e Norte, até o Oceano Pacífico, e também permitir o fluxo de mercadorias no sentido inverso, utilizando rios navegáveis, rodovias e, quando necessário, ferrovias.Fabiana Ceyhan — O que o Equador oferece aos turistas brasileiros?Carlos Alberto Velástegui — Muitos brasileiros que visitam o Equador retornam, justamente pela diversidade de experiências que encontram.Ainda temos um número relativamente limitado de visitantes, em parte pela falta de conectividade aérea direta. Estimo que aproximadamente 30 mil cidadãos de cada país viajem anualmente entre Brasil e Equador.Costumamos dizer que o Equador reúne quatro mundos: Galápagos, Andes, Amazônia e costa.Como essas regiões estão concentradas em um território relativamente pequeno, é possível conhecer paisagens muito diferentes em pouco tempo.Com exceção de Galápagos, que fica mais distante, é possível percorrer as outras três regiões em um único dia: tomar café da manhã na Amazônia, almoçar na serra e jantar na costa, ou fazer o caminho inverso.Fabiana Ceyhan — Galápagos é o destino mais procurado pelos brasileiros?Carlos Alberto Velástegui — Sem dúvida. O arquipélago está localizado no Oceano Pacífico, a aproximadamente mil quilômetros da costa continental.Galápagos é Patrimônio Natural da Humanidade, enquanto Quito é Patrimônio Cultural da Humanidade. Ambos receberam o reconhecimento da UNESCO em 1978.Visitar Galápagos é conhecer um paraíso natural, com espécies endêmicas extraordinárias, como as tartarugas gigantes, os pinguins que vivem em pleno trópico e as iguanas-marinhas.A diversidade das ilhas foi fundamental para as observações de Charles Darwin e para o desenvolvimento de sua teoria da evolução das espécies.As espécies se adaptaram às condições de cada ilha. Algumas aves apresentam diferenças no formato do bico conforme o alimento disponível. O mesmo acontece com as tartarugas gigantes, cujas carapaças variam de acordo com o ambiente e a necessidade de alcançar a vegetação.Fabiana Ceyhan — Como funciona o turismo nas ilhas?Carlos Alberto Velástegui — Galápagos possui 13 ilhas grandes e cerca de 90 ilhas e ilhotas menores. Quatro são habitadas: Santa Cruz, San Cristóbal, Isabela e Floreana.Existem hotéis e serviços turísticos, principalmente em Santa Cruz, San Cristóbal e Isabela.O visitante pode chegar ao arquipélago por conexões aéreas a partir de Quito ou Guayaquil, em voos de aproximadamente duas a três horas.Eu recomendo começar por Santa Cruz, onde está a Estação Charles Darwin, especialmente importante para conhecer as tartarugas gigantes. Também recomendo Isabela, a maior ilha do arquipélago, com paisagens vulcânicas extraordinárias.Os deslocamentos podem ser feitos por embarcações turísticas, com roteiros de quatro, cinco, oito ou até quinze dias, ou por barcos que realizam o transporte entre as ilhas. Alguns trajetos duram aproximadamente duas ou três horas.Santa Cruz possui uma localização central, com San Cristóbal de um lado, Isabela do outro, Floreana ao sul e Bartolomé ao norte, conhecida por suas formações de lava e pela presença de pinguins.Fabiana Ceyhan — E para quem gosta de mergulho?Carlos Alberto Velástegui — Há um lugar extraordinário chamado León Dormido, uma formação rochosa em pleno mar que lembra um leão deitado.É muito procurado para mergulho e snorkel. É possível observar tartarugas, tubarões-martelo, arraias e uma infinidade de peixes. A sensação é de nadar dentro de um aquário.Também existem baleias, tubarões-baleia e outras espécies.Outro animal muito interessante é o cormorão de Galápagos, uma ave que perdeu a capacidade de voar durante seu processo evolutivo. Suas asas se atrofiaram porque encontrou alimento em seu próprio ambiente.São exemplos extraordinários da evolução das espécies.Fabiana Ceyhan — Além de Galápagos, quais são os principais atrativos da região andina?Carlos Alberto Velástegui — Acredito que o segundo grande interesse dos brasileiros sejam os nevados, por serem paisagens que não existem no Brasil.No século XIX, o cientista alemão Alexander von Humboldt percorreu a região e descreveu o que ficou conhecido como Avenida dos Vulcões. Ao longo da região interandina, é possível observar vulcões dos dois lados do percurso.Um dos mais importantes é o Chimborazo, cujo cume é o ponto da superfície terrestre mais distante do centro da Terra, superando inclusive o Everest nesse aspecto. Isso ocorre porque a Terra apresenta um alargamento na região equatorial e um achatamento nos polos. O Chimborazo fica a aproximadamente três horas e meia de carro de Quito.Outro destaque é o Pichincha, próximo à capital, que teve uma erupção importante em 1999. É possível subir de teleférico até aproximadamente 3.700 metros de altitude e continuar o percurso por trilhas ou a cavalo.O Cotopaxi, localizado a cerca de uma hora e meia de Quito, é um dos mais visitados. É um vulcão ativo, com um cone praticamente perfeito. Próximo a ele está o lago Limpiopungo, de onde se contempla uma paisagem muito bonita.Também temos o Cayambe, os Ilinizas, o Altar e o Antisana, que oferecem oportunidades para montanhismo e caminhadas. Algumas dessas regiões possuem áreas glaciais afetadas pelas mudanças climáticas.Os visitantes também podem se hospedar em antigas fazendas andinas, algumas com origens no século XVI, que preservam construções históricas e oferecem vistas extraordinárias das montanhas.Fabiana Ceyhan — O que o senhor recomenda na região dos lagos?Carlos Alberto Velástegui — Ao norte de Quito, passando pelo Cayambe, encontramos o vulcão Imbabura e o lago San Pablo.Próxima dali está Otavalo, conhecida pelos povos indígenas otavaleños, pela preservação de seus trajes tradicionais e pela qualidade de seus trabalhos têxteis.Aos sábados, o mercado popular recebe muitos visitantes, que encontram uma grande variedade de artesanato.Também existem outras localidades andinas conhecidas pelos trabalhos em couro, com produtos de boa qualidade e preços acessíveis.Fabiana Ceyhan — Como o senhor descreveria a gastronomia do Equador?Carlos Alberto Velástegui — Quem conhece a gastronomia equatoriana fica maravilhado com sua riqueza.A preparação dos alimentos é sofisticada e muitas vezes demorada, com receitas históricas transmitidas ao longo das gerações.Cada região possui características próprias. Durante uma viagem de estrada de apenas duas horas, é possível experimentar comidas muito diferentes.A localização geográfica também influencia os sabores. O Equador recebe uma corrente marítima fria, proveniente da região antártica, que percorre as costas do Chile e do Peru, além da corrente quente associada ao fenômeno El Niño.A influência dessas correntes contribui para a diversidade de plâncton e de espécies marinhas, refletindo-se na variedade de pescados, camarões e outros produtos.Um exemplo é a concha-negra, um molusco bivalve encontrado na região costeira entre o sul da Colômbia e o Equador.Essa diversidade torna nossa culinária muito rica e elaborada.Fabiana Ceyhan — Como os brasileiros são recebidos no Equador?Carlos Alberto Velástegui — Os pequenos povoados são muito hospitaleiros. Existe uma relação de grande cordialidade com os brasileiros.Quando um equatoriano sabe que está recebendo um brasileiro, a atenção costuma ser especial. Acredito que essa simpatia esteja relacionada à alegria e ao caráter extrovertido dos brasileiros.Existem inclusive diplomatas que foram viver no Equador, construíram suas vidas e se casaram com equatorianas.Fabiana Ceyhan — Quantos equatorianos vivem no Brasil?Carlos Alberto Velástegui — Temos cerca de 16 mil equatorianos em todo o Brasil.Não é uma comunidade tão numerosa quando comparada à presença de algumas outras nacionalidades, como paraguaios e colombianos, mas é uma presença importante para nós.Fabiana Ceyhan — Qual cidade o senhor recomenda conhecer primeiro?Carlos Alberto Velástegui — Eu sugiro Quito. É uma cidade que realmente maravilha o visitante.Quito foi a primeira cidade reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Seu centro colonial é um dos mais extensos e bem conservados das Américas.Durante o período colonial, desenvolveu-se a chamada Escola Quitenha, reconhecida pelas artes plásticas, esculturas e trabalhos em madeira.Recomendo conhecer o centro histórico, subir pelo teleférico do Pichincha e visitar o Panecillo, de onde se contempla uma vista muito bonita da cidade colonial.Outro passeio importante é a Mitad del Mundo, situada a aproximadamente 15 ou 20 quilômetros de Quito. Ali, o visitante pode colocar um pé em cada hemisfério, na representação da linha equatorial.Quito possui aproximadamente 3,5 milhões de habitantes. O Equador tem cerca de 18 milhões, e Guayaquil, aproximadamente 3,6 milhões.Fabiana Ceyhan — Que outras cidades merecem uma visita?Carlos Alberto Velástegui — Cuenca é outra cidade patrimonial, muito bonita, com excelente gastronomia, arquitetura colonial, tranquilidade e intensa vida cultural. Muitos estrangeiros estão escolhendo viver ali.Guayaquil é nosso grande centro econômico e industrial, uma cidade voltada aos negócios, que podemos comparar a São Paulo.Manta, na costa, é uma cidade muito bonita e possui um importante porto de exportação.Uma vantagem do Equador é que as distâncias são relativamente curtas. Alguns voos internos levam aproximadamente 30 ou 40 minutos. Por estrada, é possível sair de Quito e chegar à costa em cerca de quatro horas ou à região oriental em aproximadamente três horas, dependendo do destino.Fabiana Ceyhan — Como ampliar o turismo entre Brasil e Equador?Carlos Alberto Velástegui — Precisamos promover mais nossos destinos.O Equador oferece paisagens exuberantes, cidades históricas, gastronomia e uma diversidade natural que muitos visitantes ainda desconhecem.Algumas pessoas que conhecem o país dizem ter descoberto um segredo muito bem guardado, porque não imaginavam a riqueza de suas paisagens e de sua culinária.Também precisamos incentivar a visita de mais equatorianos ao Brasil, um país maravilhoso, com muito a oferecer.A culinária equatoriana é muito diversificada e agrada a diferentes paladares. Cada região do país possui comidas típicas próprias, com ingredientes, sabores e formas de preparo que refletem as tradições locais. Essa variedade gastronômica é mais um atrativo para quem deseja conhecer o Equador e descobrir sua riqueza cultural.Fabiana Ceyhan — O Equador também é conhecido pelos beija-flores?Carlos Alberto Velástegui — Sim. O Equador é o país dos beija-flores.Temos 135 variedades de beija-flores. Existem passeios turísticos organizados especialmente para a observação dessas aves e de outras espécies.Somente em Quito e em seus arredores, encontramos 55 variedades de beija-flores.É uma riqueza natural extraordinária.Fabiana Ceyhan — Como o presidente Noboa conduz as relações internacionais?Carlos Alberto Velástegui — A política externa do governo do presidente Noboa é orientada pelo pragmatismo.O próprio presidente mencionou essa visão durante suas reuniões no Senado e na Câmara dos Deputados, em Brasília.Não é uma visão de ideologia. O presidente Noboa tem interesse em manter relações com todos os países, ampliar os investimentos estrangeiros e facilitar o comércio.Queremos parceiros em diferentes partes do mundo. Já celebramos acordos com a China e, mais recentemente, com os Estados Unidos. Também mantemos relações com a União Europeia.A política externa busca criar condições para o desenvolvimento por meio do comércio e dos investimentos, gerando empregos, riqueza e estabilidade.Essa visão está relacionada aos temas que discutimos: segurança, combate ao crime organizado, multilateralismo, preservação ambiental e sustentabilidadeFique por dentro das principais notícias que movimentam a Diplomacia e Embaixadas. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp











