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Um grupo de grandes instituições financeiras se comprometeu a financiar US$ 63 bilhões (cerca de R$ 340 bilhões) para viabilizar a compra de chips e equipamentos de rede da Broadcom destinados à Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude. A operação reúne Bank of America, Blackstone, Citigroup e Morgan Stanley e está entre os maiores financiamentos ligados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA).

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O acordo prevê a criação de sociedade de propósito específico, estrutura que será responsável por comprar os equipamentos da Broadcom e alugá-los à Anthropic. As entregas devem começar em 2027, como parte de acordo estratégico de capacidade computacional anunciado anteriormente pelas empresas.
A operação evidencia o tamanho dos investimentos necessários para sustentar a crescente demanda por poder computacional para IA. Ao mesmo tempo, mostra como bancos e gestoras de ativos estão assumindo um papel cada vez maior no financiamento dessa infraestrutura.
Como será dividido o financiamento?
- Do total de US$ 63 bilhões, aproximadamente US$ 43,5 bilhões (R$ 235 bilhões), equivalentes a 69% do montante, serão financiados por meio de empréstimos com garantia prioritária. Esse tipo de dívida tem precedência sobre outras obrigações em determinadas situações de inadimplência;
- Bank of America, Citigroup e Morgan Stanley organizarão essa parcela do financiamento. Já a Blackstone será responsável pela parte comprometida da dívida de segunda garantia, que ocupa posição inferior à dívida prioritária na estrutura de pagamento;
- A Broadcom também oferecerá garantia relacionada ao valor residual dos equipamentos. Na prática, esse mecanismo ajuda a proteger os financiadores contra eventual desvalorização dos ativos utilizados na operação;
- O comunicado das empresas não detalhou a divisão completa dos empréstimos entre as instituições financeiras.
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Chips especializados vão sustentar a expansão da Anthropic
Os recursos serão utilizados para adquirir aceleradores de IA e equipamentos de rede fabricados pela Broadcom. Esses componentes são fundamentais para construir e operar a infraestrutura computacional necessária ao treinamento e à execução de modelos avançados de IA.
A Anthropic precisa ampliar sua capacidade computacional para atender à demanda por seus sistemas. A corrida por esses recursos tem levado empresas de tecnologia a buscar novos acordos de fornecimento e estruturas de financiamento cada vez maiores.
Nesse modelo, a sociedade criada para a transação compra os equipamentos e os aluga à Anthropic. Os pagamentos do aluguel ajudam a sustentar a estrutura financeira, enquanto as garantias oferecidas pela Broadcom reduzem parte dos riscos assumidos pelos credores.
Operação amplia exposição financeira à IA
O financiamento de US$ 63 bilhões não é a primeira operação desse tipo envolvendo as empresas. Em acordo anterior com a Broadcom, Apollo e Blackstone haviam se comprometido a financiar expansão de US$ 35 bilhões (cerca de R$ 189 bilhões) da capacidade computacional da Anthropic. Naquela operação, a Broadcom ofereceu garantia de até US$ 29 bilhões (cerca de R$ 157 bilhões), segundo documento citado pela Reuters.
O aumento do volume de recursos destinados à infraestrutura de IA também chama a atenção para os riscos financeiros envolvidos. A agência de classificação de risco Moody’s descreveu a Broadcom como uma das empresas de tecnologia de grande porte mais sólidas, mas alertou que os riscos podem crescer caso várias operações desse tipo sejam realizadas em intervalo curto para atender às necessidades de financiamento dos principais laboratórios de IA.
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A preocupação está relacionada ao volume de capital necessário para acompanhar a expansão dessas empresas e à exposição crescente de bancos, gestoras e fornecedores de tecnologia a esses investimentos.
A notícia também surge em momento importante para a Anthropic: a empresa apresentou, na segunda-feira (26), um pedido de abertura de capital, segundo a Reuters. O movimento ocorre enquanto a companhia enfrenta questionamentos relacionados a perdas financeiras elevadas e preocupações de segurança, fatores que podem influenciar o interesse dos investidores em uma eventual oferta de ações.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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Tags: anthropic Broadcom chips chips de IA Inteligência Artificial

