Em Centralia, na Pensilvânia, um incêndio alcançou antigas galerias de carvão em 1962 e continua ativo mais de seis décadas depois. A cidade perdeu quase toda a população, trechos de estrada cederam e seu antigo CEP deixou de funcionar. O caso mostra como um fogo escondido no subsolo pode transformar uma comunidade inteira por gerações.
Como o incêndio subterrâneo em Centralia começou?
🏛️ 27 de maio de 1962: O incêndio subterrâneo foi relatado.
🌿 1985 a 1991: 545 residências e empresas foram adquiridas, e moradores foram transferidos.
🚀 Hoje: A área do incêndio segue perigosa e monitorada.
O incêndio foi detectado em 27 de maio de 1962, numa cava de mineração perto do limite sudeste da cidade, onde havia descarte de resíduos. O cenário mais aceito envolve uma queima intencional de lixo municipal, segundo o Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia, no documento oficial. As chamas teriam alcançado resíduos carbonáceos e, depois, antigas galerias subterrâneas de carvão conectadas à antiga mineração local.
O estado, porém, não apresenta essa origem como certeza absoluta desde o início. Seu documento registra hipóteses alternativas, incluindo combustão espontânea do lixo, vandalismo e uma explosão de mina anterior, para explicar a ignição. Portanto, a existência do incêndio é fato documentado, enquanto o gatilho inicial permanece uma reconstrução histórica com versões concorrentes, sem prova definitiva do primeiro foco.
Por que o fogo não foi apagado?
Galerias interligadas dificultaram o combate ao fogo - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O fogo não foi apagado porque alcançou uma rede subterrânea extensa e irregular, alimentada por carvão de antracito e entrada de oxigênio. As primeiras respostas tentaram usar água e uma cobertura de argila para sufocar as chamas na área visível da cava. Depois, equipes recorreram a escavação direta, valas de isolamento, preenchimento de galerias e selagem da superfície em diferentes frentes subterrâneas, sem sucesso duradouro.
Mesmo assim, o incêndio continuou avançando de forma desigual sob o terreno durante décadas de acompanhamento. Mais de 2 mil furos de monitoramento foram perfurados na região desde 1966 para localizar, acompanhar e controlar o fogo. O estado afirma que uma extinção completa seria tecnicamente possível, porém exigiria um projeto muito grande e caro.
Como a retirada transformou a cidade?
A retirada reduziu uma comunidade de cerca de 1.100 a 1.200 moradores em 1962 a uma população residual em poucas décadas. Entre 1985 e 1991, o governo adquiriu 545 residências e empresas e transferiu seus ocupantes numa operação de longa duração. Em 1992, procedimentos de desapropriação avançaram sobre outras 53 propriedades diante dos riscos de gases nocivos, subsidência e estruturas ocupadas.
O fogo também comprometeu pilares de carvão deixados como suporte do teto da mina sob a Route 61, naquele corredor. Em 1993, um trecho de aproximadamente 4 mil pés da rodovia foi fechado por segurança após danos ligados à subsidência. Ainda assim, Centralia não ficou literalmente vazia, pois o Censo dos Estados Unidos de 2020 registrou cinco moradores no borough.
O que aconteceu com o CEP de Centralia?
Registro oficial
O que consta
USPS
A tabela cita 17/09/1994 para o antigo posto e CEP 17927, além de 28/09/2002 para a designação sob Ashland.
DEP
O FAQ estadual informa que o CEP de Centralia deixou de estar ativo após 18/09/2003.
O antigo CEP 17927 deixou de funcionar, mas os documentos oficiais não apresentam uma cronologia perfeitamente uniforme para quem busca uma única data. Um boletim do Serviço Postal dos Estados Unidos registra a descontinuação do posto e do CEP antigo em 17 de setembro de 1994. A mesma tabela marca 28 de setembro de 2002 para Centralia como nome de localidade associado ao CEP 17921 de Ashland, na prática postal.
Já o FAQ ambiental da Pensilvânia afirma, em seu FAQ, que o CEP deixou de estar ativo após 18 de setembro de 2003. Assim, dizer apenas que o código foi cancelado em 2002 simplifica registros oficiais que usam datas distintas sobre a data exata. O ponto seguro é outro, moradores passaram a receber correspondência pela agência postal de Ashland desde então.
Por que a área ainda é perigosa?
A área permanece perigosa porque o subsolo pode liberar gases nocivos e sofrer colapsos repentinos em pontos afetados pela combustão. O governo estadual desaconselha caminhar ou dirigir na zona diretamente afetada pelo incêndio, por risco de ferimentos graves ou morte. Mesmo locais onde o combustível já queimou podem apresentar subsidência, circulação de gases e eventual reignição de carvão exposto por muitos anos.
Registros dos anos 1970 e 1980 mostram como o fenômeno alcançou temperaturas extremas abaixo e perto da superfície. Furos de monitoramento chegaram a indicar 1.350 °F, cerca de 732 °C, enquanto pontos superficiais alcançaram 900 °F. Esses valores são históricos, não medições atuais, e ajudam a explicar a persistência do risco subterrâneo, sem indicar calor uniforme em todo o perímetro.
O que Centralia deixou
Centralia mostra como um incêndio subterrâneo pode ultrapassar qualquer escala cotidiana de combate, alterar uma comunidade por décadas e desafiar respostas públicas convencionais. A história também exige precisão, porque a origem inicial e a cronologia postal têm nuances documentais em documentos diferentes. Se essa história despertou curiosidade, acompanhe registros oficiais antes de repetir versões simplificadas sobre a cidade e compare datas quando houver divergência. Assim, o caso permanece relevante até hoje como exemplo de risco ambiental, memória local e consequência de longa duração.
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