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O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira, 5, a convocação de eleições gerais antecipadas para 29 de novembro, após seu governo sofrer uma derrota no Parlamento com a rejeição de medidas para enfrentar a crise habitacional no país.

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“Precisamos renovar e ampliar o apoio da população”, disse Sánchez no Palácio da Moncloa, residência oficial do chefe de governo, ao anunciar a antecipação de eleições que estavam previstas inicialmente para 2027.

A derrota no Congresso, na sexta-feira, representou um revés político para o governo socialista e aumentou as dúvidas sobre a capacidade de Sánchez de permanecer no poder até o fim da atual legislatura. O governo, que não tem maioria no Parlamento, enfrenta dificuldades para aprovar projetos de lei e medidas de sua agenda.

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Governo perdeu votação no Congresso sobre medidas para enfrentar a crise habitacional; protestos contra o alto custo da moradia pressionam Sánchez, que estava previsto para permanecer no cargo até 2027 Foto: Thomas Coex/AFP

Sánchez, que está no cargo desde 2018, havia tentado aprovar um pacote de medidas para enfrentar a crise habitacional em meio a uma onda de protestos provocada pelo despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. A aposentada se tornou símbolo das dificuldades de acesso à moradia na Espanha.
Moradora de Madri, Abascal foi obrigada a deixar o apartamento onde vivia havia sete décadas depois que o imóvel foi comprado por uma empresa de investimentos que pretendia elevar o aluguel em 275%.
A derrota do governo provocou reação entre manifestantes que protestam contra o aumento dos preços dos imóveis e dos aluguéis no país. No sábado, dezenas de milhares de pessoas participaram de manifestações por moradia digna em Madri e em outras cidades espanholas.
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Centenas de manifestantes também mantêm acampamento há uma semana na Puerta del Sol, no centro da capital, para pressionar o governo por reformas no setor.
Além da crise habitacional, Sánchez enfrenta pressão política em meio a investigações e escândalos de corrupção que envolvem pessoas de seu círculo próximo, incluindo sua mulher, seu irmão e colaboradores do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).
O Partido Popular (PP), principal legenda de oposição, tem exigido há meses a convocação de eleições antecipadas. Seu líder, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que Sánchez deveria deixar de “ameaçar” com eleições e convocá-las de uma vez, sob o argumento de que o país “não aguenta mais”.
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Pesquisas de opinião recentes colocam o PP à frente do PSOE. A realização de eleições antecipadas interrompe o atual calendário eleitoral, que previa novas eleições gerais para 2027.
A dificuldade de acesso à moradia é um dos principais problemas sociais da Espanha, em meio à alta dos preços dos imóveis e dos aluguéis. Plataformas de aluguel de curta duração, como o Airbnb, e fundos de investimento são alvo de críticas de movimentos sociais e moradores, que os acusam de reduzir a oferta de imóveis disponíveis para residentes e pressionar os preços./com AFP
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