No verão em que Nicole Fusaro desapareceu, sua mãe caminhou para cima e para baixo pelo bairro de Kensington, na Filadélfia, até seus pés doerem.Diane Fusaro e seus amigos entravam fundo no bairro, muitas vezes assolado pelas drogas, onde Nicole — Nikki para seus amigos e familiares — morava e foi vista pela última vez, distribuindo panfletos com a foto da jovem de 27 anos presos a sanduíches, na esperança de que alguém pudesse saber de algo.“Por favor, me ajudem a encontrar minha filha, ela está desaparecida há mais de 8 dias sem que ninguém a veja ou tenha notícias dela”, ela postou no Facebook em 26 de julho de 2018, junto com uma selfie de Nicole de cabelos longos e escuros e olhos azuis. Dezenas de pessoas compartilharam a postagem, prometendo ficar de olho.Diane morreu em 2020, sem nunca saber o que aconteceu com sua filha.“Ela passou todos os momentos de sua vida, desde o momento em que Nicole desapareceu até o momento de seu falecimento, tentando encontrar Nicole”, disse o sobrinho de Diane, Jonathan Halloran-Koren.Oito anos depois de Nicole desaparecer, seu primo acredita que sabe, até certo ponto, o que aconteceu com ela. A polícia disse a ele e à sua mãe no mês passado que ela havia sido estrangulada, disse ele, e ele acredita que ela seja a mulher que a polícia descreveu naquele dia em um vídeo recuperado de uma casa no bairro de Olney, na cidade.A polícia disse que o vídeo parece mostrar Raymond “RC” Horsch estrangulando uma mulher com uma braçadeira de plástico até ela “parecer estar sem vida”. Raymond Horsch, que já morou na casa e morreu no ano passado, era um cineasta de filmes eróticos cujo trabalho retratava temas violentos, de acordo com o The Philadelphia Inquirer.Nicole está entre as sete mulheres ligadas à casa, cinco das quais a polícia teme estarem mortas, com base em fotos e vídeos encontrados no local ao longo dos últimos meses. A polícia, no entanto, ainda não encontrou corpos, DNA ou outras evidências físicas de um assassinato.O filho de Raymond Horsch, Eugene Horsch, cuja prisão em junho levou a polícia até a casa, não foi acusado por nenhum dos desaparecimentos ou mortes das mulheres, e a polícia disse em setembro que, até o momento, os detetives não relataram tê-lo visto em nenhum dos vídeos.Neste mês, a polícia da Filadélfia e os investigadores do FBI (Departamento Federal de Investigação) retornaram à casa dos Horsch, em busca de qualquer evidência física que pudesse confirmar o que as imagens horríveis parecem mostrar.Nicole cresceu no nordeste da Filadélfia, disse seu primo.Ela era um “espírito bondoso”, disse ele à CNN Internacional.Ele relembrou uma viagem em família para a Disney World e disse que Nicole adorava ser voluntária com animais. Ela amava especialmente um cão da raça Shih Tzu que herdou de seus avós.“Ela o levava para todos os lugares com ela”, disse Halloran-Koren, com um sorriso.O pai de Nicole morreu em 2009. Mais tarde, depois que Nicole e sua mãe se mudaram para outras partes da cidade, Nicole começou a passar um tempo em Kensington, e Diane acabou se mudando para lá para ficar perto dela, disse Halloran-Koren.Halloran-Koren disse que Nicole lutava contra as drogas — como tantos outros em Kensington.“Eu sei que minha tia tentou colocá-la na reabilitação algumas vezes, mas simplesmente... uma vez que você entra nesse estilo de vida, é muito difícil”, disse ele.Nicole foi vista pela última vez por volta das 21h do dia 19 de julho de 2018, perto das avenidas Kensington e Allegheny, de acordo com o boletim de ocorrência de seu desaparecimento.“Falou-se sobre ela possivelmente entrar em um carro, mas isso nunca foi confirmado”, disse Halloran-Koren. “Eram apenas rumores naquele momento.”A polícia notificou primeiro os parentes por parte do pai de Nicole, disse Halloran-Koren. Então, na manhã de 16 de setembro, a polícia procurou ele e sua mãe.“Eles avisaram tanto a mim quanto à minha mãe que Nicole era, de fato, uma vítima, que ela havia sido estrangulada”, disse Halloran-Koren.Ele disse que soube de mais detalhes apenas mais tarde naquele dia, junto com o público, em uma coletiva de imprensa da polícia.“Foi uma grande mistura de emoções, de tristeza e raiva”, disse ele. “(Foi) mais do que enfurecedor.”A polícia disse que os metadados do vídeo do aparente estrangulamento datavam de 2017, o ano anterior à última vez que Nicole foi vista. A polícia não identificou publicamente a mulher no vídeo.Halloran-Koren disse que decidiu tornar pública a identidade de sua prima em parte para que os amigos que ajudaram sua tia a procurar Nicole soubessem o que aconteceu com ela.Na mesma coletiva de imprensa, as autoridades de segurança reiteraram que, até o momento, na casa em Olney, haviam encontrado produtos químicos não identificados, um “tipo de laboratório caseiro”, cinco urnas que se acredita conter restos humanos e uma grande quantidade de imagens e vídeos digitais.Ao todo, segundo a polícia, cinco mulheres aparecem mortas em imagens encontradas na casa: Maribel Fresses, de 26 anos, e Gabrielle Amarando, de 27 anos, que a polícia nomeou; duas mulheres que a polícia identificou, mas não quis divulgar o nome a pedido de suas famílias; e uma mulher que a polícia não conseguiu identificar.Autoridades do FBI disseram que, em meados de setembro, eles haviam analisado cerca de 30% de mais de 1 milhão de evidências digitais recuperadas na casa.Duas outras mulheres desaparecidas também estão ligadas à investigação: Blair Tonzelli, que foi dada como desaparecida em 2023 e cujo nome, a CNN Internacional relatou anteriormente, estava na identidade que a mulher no carro de Eugene Horsch entregou aos policiais quando ele foi detido em junho, e Amy McHale, cuja família diz que ela já foi casada com o Horsch mais velho.Ainda assim, a polícia enfatizou o problema central no caso: ainda não há evidências físicas de um assassinato.“Vamos lembrar, ele fazia filmes”, disse o vice-comissário de polícia da Filadélfia, Frank Vanore, em setembro. “Alguns de seus filmes estão lá nesta evidência digital. Então, essa é a parte em que, você sabe, um pouco disso é encenação, e um pouco acreditamos que pode ser real.”“Precisamos corroborar o que vemos; precisamos encontrar evidências para provar o que pensamos, e o FBI está aqui para nos ajudar”, disse ele.Por mais que muitas perguntas cerquem o que aconteceu dentro da casa, a forma como os investigadores chegaram lá está bem documentada.Por volta das 8h do dia 19 de junho, um guarda florestal federal notou um carro BMW preto estacionado sem um cartaz da polícia ao lado de um hidrante perto das ruas 6 e Market, no Parque Histórico Nacional da Independência, de acordo com uma denúncia criminal federal. Quando o guarda se aproximou, ele ouviu uma mulher no banco de trás dizer: “Você vai me machucar!”O motorista era Eugene Horsch, de 44 anos. Os policiais encontraram um canivete e um cachimbo de vidro para drogas nos bolsos de sua calça, de acordo com a denúncia. No carro, eles encontraram duas armas carregadas, uma substância que possivelmente seja crack, um bastão de choque para gado, algemas da polícia e, no porta-malas, um segundo canivete e distintivos da DEA (Administração de Repressão às Drogas) com cartões de identidade contendo a foto de Eugene Horsch e o nome “Eugene Fredrick Steiner”. Eugene Horsch “não é empregado da DEA e nunca foi”, diz a denúncia.A mulher no banco de trás deu aos policiais uma identidade com sua foto, mas com o nome de uma mulher desaparecida na Filadélfia, disse a polícia.Eugene Horsch, que tem condenações anteriores por drogas e agressão, foi acusado de porte ilegal de arma de fogo como um criminoso condenado e permanece sob custódia federal.Seu advogado, Jerry Brown, não respondeu imediatamente ao pedido de comentários da CNN Internacional. Brown disse anteriormente à CNN Internacional que Horsch planejava se declarar inocente.A polícia então fez buscas em sua casa na Avenida West Chew. Foi quando o caso se transformou em algo muito maior. Os investigadores voltaram sua atenção para o falecido pai de Eugene, Raymond Horsch, e para as mulheres desaparecidas que poderiam estar conectadas à casa.“O escopo desta investigação é significativo”, disse o comissário de polícia da Filadélfia, Kevin Bethel, em uma coletiva de imprensa em setembro.Desde junho, existe alguma presença policial na casa em Olney, mas autoridades locais e federais iniciaram um novo esforço nesta semana.A polícia da Filadélfia não divulgou detalhes sobre o trabalho. “A investigação permanece ativa e em andamento”, disse um porta-voz da polícia à CNN Internacional em um comunicado. “Informações adicionais serão divulgadas conforme estiverem disponíveis e forem apropriadas para divulgação pública.”A Equipe de Resposta a Evidências do FBI “continua a auxiliar o Departamento de Polícia da Filadélfia”, disse um porta-voz da agência à CNN Internacional, encaminhando outras perguntas para a polícia como “a principal agência investigativa”.Ainda assim, a mudança no bairro é clara.A fita de cena de crime está de volta, e placas da polícia proíbem o estacionamento nos quarteirões ao redor da casa de 5 a 16 de outubro. Policiais e agentes do FBI foram vistos pela CNN Internacional e suas afiliadas entrando e saindo da casa, removendo de tudo, desde lixo e entulho até televisões de tela grande e sacos plásticos cheios.O som de britadeiras no quintal dos Horsch perfurou a rua, de outra forma silenciosa, na quarta-feira (7) à tarde.A busca por evidências físicas das mulheres desaparecidas continua.Halloran-Koren espera que os investigadores continuem pressionando por quaisquer respostas que possam obter, mesmo compreendendo a realidade que tem pela frente.“Eu não acho que eles algum dia encontrarão restos mortais que possamos pegar e acabar enterrando em paz”, disse Halloran-Koren.O único conforto, disse ele, é que “pelo menos eu soube o que aconteceu com ela até certo ponto.”Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp












