A indústria da beleza não cansa de surpreender e a mais recente “trend” são os lubrificantes para o ânus com ativos de skincare, que prometem hidratar, clarear e tratar a região. Para saber se eles realmente funcionam e os cuidados ao usar o produto, a editoria de Vida&Estilo do Metrópoles ouviu o coloproctologista Danilo Munhóz. Leia também Vida & Estilo“Cutox”: médico explica procedimento anal realizado por Rico Melquiades Pouca vergonhaSintomas gastrointestinais podem causar lesões que atrapalham o sexo anal Pouca vergonhaSexo anal: médico explica diferenças entre enema e ducha higiênica Na visão do expert, os itens devem ser vistos com atenção. “O fato de um ingrediente ter propriedades hidratantes, calmantes, antioxidantes ou clareadoras para a pele não significa automaticamente que ele seja adequado para contato com a região anal, principalmente com a mucosa do canal anal e do reto”, diz.É importante ter cuidado com o excesso na região analConforme o especialista, dependendo da formulação, podem ocorrer ardor, coceira, vermelhidão, dermatite de contato, pequenas erosões e piora de fissuras ou irritações já existentes.“Estudos mostram que fragrâncias, conservantes e medicamentos tópicos estão entre as causas relevantes de alergia de contato na região anogenital”, prossegue.Região anal é sensívelA pele externa da região anal conta com uma barreira semelhante à de outras regiões cutâneas, embora fique submetida a umidade, atrito e contato com fezes. “Já internamente, encontramos um tecido muito mais delicado, e o epitélio retal é constituído por uma única camada de células colunares”, detalha o coloproctologista.Fragrâncias, aromatizantes e conservantes, comuns nesses produtos anais, podem causar dermatite de contato devido às características naturais da região. “Isso não significa que todo conservante ou todo ingrediente cosmético seja prejudicial, porém, reforça que natural, hidratante ou clareador não são sinônimos de segurança para a mucosa anal.”Ele ressalta, também, que ainda não há evidência suficiente para afirmar que o uso habitual de qualquer lubrificante provoque uma “disbiose anal” clinicamente importante ou uma doença. O segredo, como sempre, é buscar uma especialista antes de fazer uso de qualquer item não apenas no ânus, como no organismo em geral.A ideia, conforme salienta, não é “demonizar” os lubrificantes, importantes para o sexo anal. “A mensagem correta não é”evite lubrificantes, e sim use um produto apropriado para essa finalidade e desconfie da ideia de que quanto mais ativos cosméticos ele tiver, melhor será para a região anal”, diz.5 imagensFechar modal.1 de 5O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)PeopleImages/Getty Images2 de 5Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estarYana Iskayeva/Getty Images3 de 5O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sonoGetty Images4 de 5É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idadefiladendron/Getty Images5 de 5No sexo, a liberdade permite testar novas posições e descobrir novas formas de prazerSouth_agency/Getty ImagesVeja mais dicas do especialista antes de usar produtos no ânus:Dê preferência a produtos claramente destinados à lubrificação íntima;Opte por formulações mais simples, sem perfume, sabores ou efeitos desnecessários de aquecimento e resfriamento, especialmente para pessoas que já têm pele sensível, dermatite, fissura ou outras doenças anais.A quem utiliza preservativo de látex, lubrificantes à base de água ou silicone são as opções recomendadas, enquanto produtos oleosos podem comprometer o látex.Não transforme o lubrificante em tratamento dermatológico. Se existe escurecimento, coceira, ardor ou outra alteração na região anal, adicionar um ativo clareador, esfoliante ou cosmético sem saber a causa do problema pode irritar a área e ainda atrasar o diagnóstico correto.Ardor persistente, coceira intensa, vermelhidão importante, inchaço, feridas, descamação, secreção, dor ou sangramento são sinais para suspender o produto e procurar avaliação médica, principalmente se os sintomas não melhorarem após a retirada.Por fim, Danilo deixa o conselho: quanto mais promessas adicionais um produto faz, mais importante é avaliar se aqueles componentes foram desenvolvidos e testados para contato com a área.















