Roubo de sessões do Claude pode causar consumo indevido de tokens e exposição de dados; entenda o problema e saiba proteger a sua conta com orientações de especialistas

Hackers roubam contas do Claude para gastar créditos de assinaturas pagas — Foto: Arte: TechTudo

Usuários do Claude relataram ter notado o consumo de suas assinaturas aumentar consideravelmente, mesmo sem utilizar a plataforma; os casos levaram à descoberta de sessões de acesso roubadas por infostealers, um tipo de malware que “varre” as informações armazenadas no computador. Com a autenticação já válida em mãos, criminosos podem usar a conta da vítima para consumir créditos e, dependendo do acesso obtido, visualizar conversas, arquivos e outros dados vinculados ao serviço. A seguir, confira mais informações sobre esse tipo de golpe e veja, ainda, como identificar e se proteger do roubo de sessões de acordo com o especialista em cibersegurança e Diretor Executivo da Hexa Security, Daniel Tieppo e o sócio sênior e CTO da Bridge & Co, Renato Pinheiro.

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Sessões autenticadas do Claude podem ser roubadas por infostealers e usadas para consumir a assinatura da vítima — Foto: Imagem gerada por IA/OpenAI

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Índice

- Hackers roubam sessões do Claude para consumir créditos de assinaturas pagas

- Como o infostealer consegue dar acesso à conta do Claude

- Por que o golpe pode passar despercebido até o usuário perder muitos créditos

- Como identificar e evitar o roubo de sessões do Claude

- O que fazer se a conta do Claude apresentar consumo suspeito

1. Hackers roubam sessões do Claude para consumir créditos de assinaturas pagas

Usuários do Claude relataram ter percebido um aumento no consumo de tokens, unidades de texto processadas pela IA para entender comandos e gerar respostas, mesmo em períodos que não estavam utilizando o serviço. Diante disso, a Anthropic confirmou que identificou uma campanha em que criminosos usavam malwares do tipo infostealer para obter sessões de login armazenadas nos computadores das vítimas. Com esses dados, os invasores utilizavam as sessões comprometidas para gerar tokens OAuth não autorizados do Claude Code.

O problema pode ter um impacto maior para quem utiliza planos pagos. Isso acontece porque o criminoso pode aproveitar uma capacidade que já foi contratada pelo titular da conta, em vez de precisar usar uma assinatura própria. Assim, tarefas executadas por terceiros acabam sendo contabilizadas no limite disponível.

Criminosos utilizam malwares para acessar contas do Claude de vítimas, consumindo tokens — Foto: Reprodução/Freepik

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2. Como o infostealer consegue dar acesso à conta do Claude

O infostealer é um tipo de malware desenvolvido para procurar informações armazenadas no computador e enviá-las para terceiros. Dependendo do programa utilizado e do sistema afetado, esse tipo de ameaça pode buscar senhas salvas, credenciais e outros dados relacionados às sessões de login.

Segundo Daniel Tieppo, especialista em cibersegurança e Diretor Executivo da Hexa Security, o malware não precisa de privilégios de administrador para realizar esse tipo de ação: “Infostealer é um programa malicioso que roda com o privilégio do próprio usuário. Não precisa de acesso de administrador, basta você ter executado o arquivo”.
A diferença entre o roubo de uma senha e o de uma sessão está na forma como o acesso é obtido. Quando uma pessoa entra em uma conta, o serviço registra aquela autenticação e mantém informações que possibilitam reconhecer o acesso como válido. Assim, uma sessão roubada pode permitir que o criminoso utilize essa autenticação já estabelecida, sem precisar descobrir a senha original. “Se o criminoso obtiver uma informação de sessão ainda válida, pode conseguir reutilizá-la e acessar a conta como se fosse o próprio usuário, sem necessariamente conhecer sua senha. É o chamado sequestro de sessão”, explica Renato Pinheiro, sócio sênior e CTO da Bridge & Co.
No caso do Claude, há ainda uma particularidade no processo de autenticação. O serviço permite o acesso por um link enviado ao e-mail ou por contas Google e Apple, em vez de uma senha própria. Depois que o login é realizado, os dados responsáveis por manter a sessão ativa ficam armazenados no dispositivo e podem se tornar alvo do infostealer. “Quando você entra no Claude pelo link enviado ao seu e-mail, o serviço grava no seu computador uma informação que passa a valer como sua identidade. É ela que mantém você logado, para que não seja preciso repetir o login a cada uso. O infostealer varre o computador exatamente atrás desse tipo de dado”, detalha Tieppo.
Com a sessão roubada, o criminoso pode tentar utilizá-la em outro computador enquanto ela continuar válida. Isso permite que o acesso seja mantido sem a necessidade de repetir as etapas de autenticação feitas originalmente. “Por isso, proteger apenas a senha não é mais suficiente. É preciso proteger também o dispositivo, o navegador e a própria sessão autenticada”, afirma Pinheiro. O especialista ressalta ainda que a autenticação multifator continua sendo importante, mas não impede necessariamente que uma sessão já validada seja utilizada por terceiros.
Infostealer faz uma varredura no computador, com o intuito de se apropriar das informações armazenadas — Foto: Reprodução/FellowNeko/Shutterstock
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3. Por que o golpe pode passar despercebido até o usuário perder muitos créditos
Identificar o uso indevido do Claude pode ser difícil porque o consumo aparece de forma agregada, sem indicar com clareza quais atividades foram responsáveis pelo gasto. Dessa forma, o usuário consegue perceber que a franquia está diminuindo, mas pode não ter informações suficientes para descobrir o que está consumindo os tokens ou reconhecer uma atividade realizada por terceiros.
Os relatos de usuários mostram como esse consumo pode aumentar rapidamente sem que eles percebam. Em um dos casos, Grant De Swardt notou que o uso de sua conta havia passado de 45% para 55% mesmo durante um período em que não estava realizando trabalhos no Claude. Ele havia pausado tarefas programadas, desativado a execução na nuvem e não identificava uma atividade local do Claude Code que justificasse o aumento.
Em outro relato, uma pessoa afirmou ter visto o consumo subir de 0% para 49% em apenas 12 minutos. A utilização feita pelo próprio usuário havia se limitado a alguns prompts e uma pesquisa na web, sem justificar uma variação tão grande na franquia.
Portanto, um aumento repentino e incompatível com o uso habitual pode ser um sinal de que a conta está sendo utilizada por terceiros. Isso, porém, não significa que qualquer consumo elevado seja resultado de um comprometimento. Tarefas mais complexas, sessões prolongadas e outras atividades realizadas pelo próprio usuário também consomem uma quantidade considerável de tokens.
Claude não detalha o consumo de tokens, o que pode fazer com que o golpe passe desapercebido — Foto: Reprodução/Getty Images
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4. Como identificar e evitar o roubo de sessões do Claude
Para reduzir o risco de roubo de sessões, Daniel Tieppo recomenda atenção principalmente à origem dos programas e arquivos instalados no computador. “O vetor número um continua sendo software pirata, crack e ‘ativador’”, afirma. Ele também cita páginas falsas, anúncios maliciosos e extensões de navegador entre os riscos. “Um deles é a página falsa que pede para você copiar um comando e colar no computador para ‘provar que você não é um robô’: esse comando é o próprio vírus, e você mesmo executa. O outro é baixar programas pelos anúncios que aparecem no topo da busca do Google, que muitas vezes levam a sites falsos imitando o oficial”, explica.
A recomendação, segundo Tieppo, é instalar programas apenas de fontes oficiais ou por gerenciadores de pacotes, manter antivírus e EDR atualizados, usar o computador sem privilégios de administrador e revisar as extensões instaladas. “E uma regra pessoal que sozinha elimina o golpe do falso CAPTCHA: nenhum site legítimo jamais pede que você cole um comando no terminal”, alerta.
Renato Pinheiro, sócio sênior e CTO da Bridge & Co, também recomenda cuidado com “downloads de programas de origem desconhecida, softwares piratas, extensões de navegador sem validação, execução de arquivos recebidos por canais não confiáveis e tentativas de engenharia social”. Para ele, essas medidas devem ser combinadas com sistemas atualizados, proteção dos computadores, controle dos programas instalados, autenticação multifator e monitoramento de comportamentos suspeitos.
Para identificar um possível uso indevido, o consumo de tokens pode servir como um primeiro alerta. “O consumo em ferramenta de IA varia bastante de um dia para o outro por razões legítimas. O que transforma um pico em evidência é cruzá-lo com a sua rotina: limite estourando de madrugada, no fim de semana ou enquanto você estava viajando”, explica Tieppo.
O especialista recomenda, ainda, verificar regularmente as sessões ativas. “O sinal mais direto é a lista de sessões ativas. O Claude mostra, em Configurações > Conta, o dispositivo e o navegador de cada sessão, a localização aproximada por IP e quando ela foi usada pela última vez, e permite encerrar remotamente qualquer uma delas”, detalha.
Caso seja identificado um acesso suspeito, Renato orienta: “A primeira medida é encerrar as sessões ativas da conta, trocar as credenciais e verificar se existem outros acessos desconhecidos”. Se houver suspeita de infostealer, ele acrescenta que “o computador utilizado também deve ser considerado potencialmente comprometido”.
Daniel recomenda isolar o dispositivo antes de alterar as credenciais. “Primeiro: isole a máquina suspeita da rede, porque trocar credenciais com o programa malicioso ainda ativo só entrega as credenciais novas”, afirma. Depois, em caso de infecção confirmada, ele recomenda reinstalar o sistema e, a partir de um dispositivo limpo, encerrar as sessões da conta.
É possível evitar dores de cabeça adotando ações como instalar somente programas oficiais e ativar a autenticação multifator — Foto: FreeP!k
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5. O que fazer se a conta do Claude apresentar consumo suspeito
Ao perceber um consumo que não corresponde ao próprio uso, o primeiro passo é verificar os acessos ativos e encerrar aqueles que não forem reconhecidos, como citado anteriormente. A Anthropic oferece uma área de gerenciamento de sessões, que permite consultar os acessos associados à conta e encerrá-los.
Também é importante avaliar as credenciais da conta e, quando houver suspeita de comprometimento, trocar a senha e refazer os processos de autenticação necessários. Porém, encerrar a sessão ou mudar a senha não deve ser tratado como uma solução completa quando existe a possibilidade do computador estar infectado: o dispositivo também precisa ser verificado para identificar e remover o malware responsável pelo roubo das informações.
A recomendação é especialmente relevante porque o infostealer pode continuar presente no computador depois que o acesso ao Claude é interrompido. Nesse caso, simplesmente criar uma sessão no mesmo dispositivo sem solucionar a infecção pode deixar outras informações expostas.
O usuário também deve procurar o suporte da Anthropic para informar a atividade que não reconhece. Nos casos divulgados, a empresa afirmou ter encerrado sessões comprometidas e invalidado autorizações associadas aos acessos identificados.
Alguns usuários também receberam reembolsos, embora ele não deva ser considerado garantido. Os casos divulgados mostram que a Anthropic analisou as situações individualmente e tomou medidas diferentes conforme o incidente. Portanto, quem identificar uso não autorizado pode solicitar a análise da empresa, mas a devolução dos valores ou da franquia consumida depende de avaliação.
Com informações de TechCrunch
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