A General Film Company foi uma empresa americana de distribuição cinematográfica fundada em 1909 como subsidiária da Motion Picture Patents Company (MPPC), também conhecida como o Edison Trust. Criada para monopolizar a distribuição de filmes nos Estados Unidos, consolidou as redes regionais de distribuidores em uma única corporação nacional, eliminando a concorrência no setor. Em 1915, um tribunal federal concluiu que suas práticas constituíam restrição ilegal ao comércio nos termos da Lei Sherman Antitruste, e a empresa foi dissolvida em 1918.
Formação e contexto A Motion Picture Patents Company foi constituída em dezembro de 1908 como um truste reunindo os principais estúdios cinematográficos americanos e sucursais de produtoras europeias com atuação nos Estados Unidos, entre eles a Edison Manufacturing Company, a Biograph, a Vitagraph, a Essanay e a Pathé Frères, além da fornecedora exclusiva de película virgem, a Eastman Kodak. O truste detinha patentes sobre câmeras cinematográficas, projetores e perfurações de película, utilizando-as para licenciar produtores, distribuidores e exibidores e impedir a atuação de empresas independentes. À medida que as patentes de câmera e projetor começaram a expirar a partir de 1911 e 1913, a MPPC perdeu progressivamente a capacidade de controlar a indústria pelo licenciamento de equipamentos. Para manter o domínio sobre a distribuição, o truste constituiu em 1909 a General Film Company, subsidiária dedicada a centralizar o escoamento comercial dos filmes de seus membros.
Operações e controle da distribuição Ao ser fundada, a General Film Company encontrou um mercado de distribuição pulverizado em cerca de 116 intermediários regionais licenciados pela MPPC para repassar filmes aos exibidores. A empresa procedeu à absorção sistemática dessas distribuidoras, eliminando 115 dos 116 intermediários e reunindo suas operações em uma única rede nacional — a primeira do gênero nos Estados Unidos. O modelo de negócios era rigidamente vertical: apenas distribuidores autorizados podiam alugar filmes da MPPC, e esses filmes só podiam ser exibidos em salas licenciadas pelo truste, que pagavam royalties pelo uso dos projetores. Qualquer exibidor que contratasse filmes de produtoras independentes perdia imediatamente a licença. O controle sobre a Eastman Kodak assegurava que somente membros do truste obtivessem película virgem de qualidade, inviabilizando tecnicamente a produção independente.
Resistência independente e Hollywood Produtoras independentes responderam à criação da General Film Company constituindo organizações rivais de distribuição, entre elas a Motion Picture Distributing and Sales Company, a National Independent Moving Picture Alliance e a Film Service Association, todas fundadas para escoar filmes fora do controle do truste. Muitos produtores independentes, que detinham entre um quarto e um terço do mercado doméstico, transferiram suas operações para Hollywood, na Califórnia, onde a distância geográfica em relação à base de Thomas A. Edison em Nova Jérsei dificultava a execução das patentes, e onde o 9.o Circuito Federal era menos propenso a acatá-las. A recusa da MPPC em adotar o sistema de estrelas e em produzir longas-metragens — cujos filmes eram limitados a uma ou duas bobinas (10 a 20 minutos) por decisão administrativa — favoreceu ainda mais os independentes, que se apropriaram do formato e da promoção de atores como estratégia comercial diferenciada.
Processo antitruste e dissolução Em 1912, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ajuizou ação civil contra a MPPC e a General Film Company com base na Lei Sherman Antitruste, arguindo que o controle sobre patentes, película, câmeras e projetores constituía conspiração para monopolizar o comércio interestadual de filmes e equipamentos cinematográficos. Em 1.o de outubro de 1915, o tribunal federal da Pensilvânia proferiu sentença no caso United States v. Motion Picture Patents Co., concluindo que as práticas das empresas excediam em muito o necessário para proteger os direitos de patente e constituíam restrição ilegal ao comércio, ordenando a dissolução do truste. A MPPC recorreu, mas em janeiro de 1918 a patente do Latham Loop — peça central do mecanismo de câmera — foi declarada inválida pela Suprema Corte dos Estados Unidos, esvaziando a base jurídica do controle sobre equipamentos. Em 30 de março de 1918, os ativos da General Film Company foram vendidos à Lincoln & Parker Film Company, de Worcester, Massachusetts. Com a falência desta, Thomas A. Edison recomprou os ativos e os revendeu ao produtor Robert L. Giffen em outubro de 1919, encerrando definitivamente as operações da empresa em 1920.
Estúdios distribuídos A General Film Company distribuiu a produção dos seguintes estúdios membros da MPPC:
Legado A General Film Company é reconhecida como a primeira empresa de distribuição cinematográfica de alcance nacional nos Estados Unidos. Sua atuação como instrumento de controle do truste foi, paradoxalmente, um dos principais fatores na consolidação de Hollywood como capital mundial do cinema: ao forçar os independentes a migrar para a Califórnia, contribuiu decisivamente para a formação do sistema de estúdios que dominaria a indústria cinematográfica ao longo do século XX. O acervo documental da empresa e da MPPC, compreendendo registros de 1908 a 1918, é custodiado pela Margaret Herrick Library da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em Los Angeles.
Referências
Ligações externas «Acervo MPPC e General Film Company – Margaret Herrick Library» (em inglês) «Cronologia da indústria cinematográfica americana – Wisconsin Center for Film and Theater Research» (em inglês)