Pouca vergonha

Visto por muita gente como um hábito sexy, o cigarro também está no universo da pornografia. Entenda o fetiche e os riscos do tabagismo

Julia de Mesquita

22/09/2026 02:00

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Além de voltar a ser apontado como tendência nas redes sociais, o cigarro também ganhou espaço no universo da pornografia. Segundo uma plataforma internacional de conteúdo adulto, a venda de materiais que envolvem o tema aumentou 58% neste ano — indicando uma demanda crescente pelo fetiche que associa sexo e cigarro. Essa naturalização e endeusamento do tabagismo, porém, expõe uma tendência que pode colocar a saúde em risco.

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No Reddit, alguns usuários debateram o assunto. “Não sei porquê, mas sempre que vejo uma mulher fumando, seja na vida real ou em filmes, acho super atraente e sexy, faz a garota parecer tão poderosa e descolada”, comentou um deles. “Nada mais sexy do que uma mulher bonita com um cigarro”, respondeu outro.

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O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
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O que está por trás
Em entrevista a um portal internacional, a terapeuta Becky Crepsley-Fox afirmou que existe uma série de motivos para o fetiche. “Geralmente, é uma combinação de estética, psicologia e um pouco de condicionamento cultural”, destacou. “Para alguns, é puramente visual. Há algo que consideram elegante, quase cinematográfico, no próprio ato — a maneira como a respiração é inspirada e a fumaça exalada lentamente”, prosseguiu.
“Os lábios são uma das nossas áreas mais sensíveis e íntimas. O ato de enrolá-las em algo fálico e inalar lentamente a fumaça pode levar a imaginação diretamente ao sexo oral”, sugeriu sobre outro apelo envolvido.
Ao Metrópoles, a psicóloga Mariana Ramos complementa a tese ao afirmar que as “telonas” têm contribuição nesse cenário.
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Nesse caso, o cigarro costuma ser associado à autonomia, à sofisticação e ao poder. Esse tipo de atribuição, porém, acaba banalizando um comportamento nocivo à saúde física e mental — especialmente na adolescência.
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“O jovem tende a absorver referências culturais de forma emocional antes mesmo de elaborar racionalmente os riscos envolvidos. Inicialmente, parece controle ou liberdade, mas pode se transformar em dependência física e emocional”, reforça a especialista do Afya Centro Universitário Itaperuna.
Performance não substitui saúde
Becky Crepsley-Fox também acrescentou que a junção de dois temas cercados por tabus, como sexo e cigarro, gera uma sensação de rebeldia. “Nesse sentido, tem muito em comum com o sexo. O sexo é um comportamento humano totalmente natural que muitos de nós ainda sentimos que precisamos esconder, e para algumas pessoas essa qualidade proibida é exatamente o que as excita.”
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A associação entre sexo e cigarro negligencia os riscos
A terapeuta britânica, no entanto, ressaltou que não é porque alguém acha o comportamento atraente que, necessariamente, tem o fetiche. “Pode ser para alguns, porém, para muitos outros é apenas algo que consideram sexy, em vez de algo sem o qual não conseguem ter relações sexuais”, afirmou.
Mariana encerra ao lembrar que o combate ao tabagismo começa com a autorreflexão. Ou seja, não é demonizar pessoas que fumam ou culpá-las, e sim avaliar que nem sempre o que é bonito é saudável na vida real.
“Em tempos em que tendências digitais moldam comportamentos rapidamente, talvez a grande reflexão seja: o que estamos romantizando sem perceber as consequências? E mais importante: quais referências queremos fortalecer para as próximas gerações?”, conclui.

