Pesquisadores recriaram simulações do ambiente da Terra primitiva e descobriram que formas de vida rudimentares podem ter se iniciado há 4,33 bilhões de anos, algo considerado relativamente cedo.A formação da Lua e a progressiva diminuição de bombardeios celestes podem ter contribuído para o surgimento de fontes termais de água, favorecendo o ambiente para a criação de um “mundo de RNA”, hipótese segundo a qual essa “prima do DNA” teria sido a transportadora de informações genéticas coordenando sua própria multiplicação.A descoberta da possível data de nascimento da vida na Terra foi publicada na revista científica Nature Communications, em 22 de setembro deste ano. O estudo foi liderado pela Universidade de Bayreuth, na Alemanha, e conduzido por Oleg Abramov e Stephen Mojzsis, pesquisadores do Geoinstituto Bávaro (BGI, sigla em alemão) ligados à universidade, além de serem colaboradores de instituições norte-americanas e húngaras. Leia também CiênciaContinentes não surgiram logo após a formação da Terra, sugere estudo CiênciaAsteroide que matou dinossauros era do tipo mais raro do Sistema Solar CiênciaCristal na Lua mostra que Sistema Solar foi bombardeado por asteroides CiênciaAstrônomos encontram açúcar em abundância fora do Sistema Solar Características da Terra primitivaO trabalho dos pesquisadores, conduzido por uma modelagem matemática, levou em consideração o que se sabe sobre os fragmentos primitivos de rochas terrestres, as quais são representadas pelo zircão ou zirconita, e também pelos dados obtidos da formação do Sistema Solar.Além disso, o estudo de rochas lunares pode ajudar a entender como era a formação dos outros planetas vizinhos na formação da Terra.As pistas analisadas indicam que o ambiente terrestre desses primeiros tempos era assustador, tanto que recebeu o nome de éon Hadeano, uma referência ao reino de Hades, que, de acordo com a mitologia grega, é a região subterrânea habitada pelos mortos e sombras.O éon Hadeano, que vai aproximadamente de 4,5 a 4 bilhões de anos atrás, era um tempo em que a Terra recebia gigantescos impactos celestes, que criaram um profundo oceano global de magma — rocha derretida — e que tinha a presença de rocha vaporizada na atmosfera.Após isso, a superfície da Terra enfrentou vários ciclos de resfriamentos e novos derretimentos causados, provavelmente, por quedas esporádicas, desta vez de objetos celestes que chegavam a mais de 500 km de diâmetro e vaporizavam os oceanos em formação, elevando a temperatura da superfície em 300 °C por milênios.Fora isso, as camadas do manto da Terra — trecho entre a crosta e o núcleo — produziam altas temperaturas também em um processo de convecção, com a movimentação de circulação da água.Essa característica estimula o processo de renovação da crosta terrestre, destruindo-a e reconstruindo-a novamente por muitas vezes. Um ambiente que não era propício para o surgimento de moléculas orgânicas, que praticamente morrem quando são expostas as temperaturas que passam significativamente dos 50 °C.Surgimento de vida rudimentarSegundo o consenso científico aponta, além do fim da instabilidade planetária, o surgimento da vida exige a formação natural de moléculas orgânicas em grande quantidade e alta concentração, que permitem reações químicas complexas e autossustentáveis.As moléculas de RNA são consideradas as principais candidatas para esses primeiros passos, pois conseguem tanto armazenar informação genética quanto acelerar reações para a sua própria replicação.Por isso, o novo estudo simulou os impactos de bombardeios celestes na Terra primitiva e indicou que a queda desses objetos, considerados capazes de destruir as moléculas orgânicas, cessou há cerca de 4,4 bilhões de anos. Época em que a maior parte da crosta terrestre havia ganhado estabilidade de longo prazo e havia água líquida abundante.Outro ponto é que a presença frequente de ambientes geotermais aquecia a água no subsolo raso e acelerava a formação de moléculas orgânicas em um ritmo mais rápido do que em outras fases posteriores da Terra.De acordo com os pesquisadores, essa combinação de fatores pode ter sido fundamental para criar condições favoráveis para o crescimento de um “mundo de RNA”, propondo que a vida surgiu com relativa rapidez e esteve presente durante quase toda a história do planeta.






