Polarização entre Lula e Flávio dividiu espaço com crises nas candidaturas, mudanças nas chapas e decisões da Justiça Eleitoral

3 out 2026 - 04h57

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- Por: Isabella Lima

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A campanha presidencial do 1º turno da eleição de 2026 chega à reta final marcada pela forte polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas também por uma série de episódios que extrapolaram a disputa tradicional entre petismo e bolsonarismo, como a série de decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate presidencial da Globo de última hora.

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Ao longo das últimas semanas, a corrida foi atravessada por oscilações nas pesquisas, pela crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF), pelas investigações envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”, além da polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida.

Ao mesmo tempo, candidatos como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) tentaram ocupar o espaço de alternativas à polarização, enquanto decisões judiciais e medidas do governo Lula também passaram a ter reflexos no debate eleitoral.

Relembre abaixo os principais acontecimentos que antecederam o primeiro turno:

Lula e Flávio concentraram a disputa

Desde o início da campanha, Lula e Flávio se mantiveram à frente das pesquisas de intenção de voto, sufocando outros candidatos. Nas simulações de segundo turno, porém, a distância entre os dois oscilou ao longo dos meses e chegou a desaparecer nas rodadas mais recentes.

Em julho, levantamento do BTG/Nexus apontava Lula com 47% e Flávio com 43% em um eventual segundo turno. Em setembro, a vantagem de Lula se inverteu numericamente: pesquisa Quaest divulgada no dia 14 mostrou Flávio com 42% e Lula com 40%, embora os dois estivessem dentro da margem de erro. Na rodada mais recente do instituto, divulgada em 28 de setembro, o cenário voltou a ser de empate, com 42% para cada um.

Na reta final do primeiro turno, Lula também passou a apostar em medidas de forte apelo popular. Entre as ações anunciadas pelo governo estão a correção dos benefícios do Bolsa Família pela inflação acumulada desde 2023, a edição de uma medida provisória que proíbe as bets de quota fixa e a estratégia para ampliar o acesso às chamadas canetas emagrecedoras no SUS.

O decreto que corrigiu os valores do Bolsa Família foi publicado em 17 de setembro, enquanto a MP que proibiu as bets foi assinada em 25 de setembro. Já em relação aos medicamentos para obesidade, o Ministério da Saúde anunciou neste mês a preparação para incorporá-los ao SUS.

Crise no STF se arrasta e impacta eleições

Há quase um mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise institucional que, na reta final do primeiro turno, passou a produzir desgastes entre diferentes grupos da Corte e a repercutir no cenário eleitoral. O embate inicialmente concentrado entre André Mendonça e Alexandre de Moraes acabou se estendendo para outros assuntos, além das investigações do Caso Master e das supostas mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Moraes. Com isso, ministros passaram a protagonizar uma sequência de decisões divergentes sobre questões com reflexos na disputa eleitoral.

Um dos momentos que expôs essa divisão ocorreu após o levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens entre Moraes e Vorcaro, dono do Banco Master. Na ocasião, Luiz Fux, Dias Toffoli e Nunes Marques se alinharam a Mendonça, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino ficaram ao lado de Moraes. Cármen Lúcia e Fachin são considerados mais independentes dentro da composição.

Crise no STF tomou conta do debate público às vésperas da eleição presidencial

Foto: Wilton Júnior/Estadão / Estadão

A divergência entre os ministros passou, nos dias seguintes, a aparecer em outros processos. Em alguns casos, decisões individuais de integrantes da Corte foram questionadas ou contrariadas por colegas. Um dos episódios envolveu o reajuste do Bolsa Família. Uma ação protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedia a suspensão do aumento de 15,04% concedido pelo governo a 17 dias das eleições e acabou distribuída para Mendonça.

O ministro rejeitou o pedido por questões processuais, sem entrar na análise do mérito. Por conexão, porém, ele também seria responsável por outras ações que tratavam do mesmo assunto. O partido Missão chegou a apresentar um pedido para suspender o reajuste. Antes que Mendonça tomasse uma nova decisão, Gilmar Mendes levou a discussão ao STF e, em processo sob sua relatoria, reconheceu a validade do aumento, atendendo a uma solicitação da Advocacia-Geral da União (AGU).

Presidenciáveis reagem à crise no STF às vésperas de julgamento sobre Moraes:

Outro episódio que entrou no radar da crise envolve precatórios do setor sucroalcooleiro. Mensagens localizadas no celular de Vorcaro apontaram uma relação de proximidade entre o ministro Nunes Marques e o desembargador Newton Reis, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), além da companheira do magistrado, Camila Ramos.

Nas conversas, Vorcaro se referia a Newton e Camila como “turma do KN”, em uma alusão a Kassio Nunes Marques, segundo as investigações. O escritório onde Camila trabalha firmou contrato para receber honorários referentes a processos envolvendo precatórios de usinas que haviam sido adquiridos pelo Banco Master. Newton Ramos teria proferido votos favoráveis aos interesses da companheira e da instituição financeira.

A atuação do desembargador passou a ser analisada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que abriu uma fiscalização sobre o caso. Gilmar Mendes então levou ao plenário uma ação relacionada ao episódio em meio à crise interna da Corte. A discussão busca uniformizar o entendimento sobre a necessidade de perícia individualizada para comprovar prejuízos decorrentes da fixação de preços pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).

Fake News sobre Flávio e Nossa Senhora Aparecida

No fim de setembro, Flávio Bolsonaro precisou desmentir uma fake news que ganhou força nas redes sociais: a de que, caso fosse eleito presidente, pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil por meio de um suposto projeto de lei. A desinformação se espalhou e ganhou repercussão nacional. "Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto", declarou.

A origem da controvérsia está em um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes durante o programa Em Pauta, da GloboNews. Ao analisar a disputa eleitoral e o comportamento de diferentes grupos religiosos, Fernandes afirmou haver "um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos" que estaria "mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira".

Lula ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida em caminhada em Fortaleza (CE)

Foto: @PT-Partido dos Trabalhadores via YouTube / Estadão

Na fala original, no entanto, a jornalista não relacionou o suposto projeto a Flávio Bolsonaro. O trecho, porém, passou a circular nas redes sociais acompanhado da afirmação de que o candidato do PL pretendia retirar -- ou apoiava a retirada-- do título de Padroeira do Brasil. Não há registro de que Flávio tenha apresentado ou apoiado uma proposta com esse objetivo. O projeto de lei que deu origem à associação é de 2007, foi apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli e acabou arquivado pela Câmara em 2008.
Diante da repercussão, a GloboNews fez uma correção pública e pediu desculpas pelo erro. A emissora esclareceu que a proposta mencionada havia sido apresentada em 2007 e arquivada no ano seguinte, sem relação com Flávio Bolsonaro.
Polêmica de Aparecida também escalou crise de ministros
A polêmica também passou a envolver uma nova disputa entre ministros do STF e aqueles que também atuam no TSE. André Mendonça, na condição de ministro no TSE, havia determinado a remoção de publicações que relacionavam Flávio e políticos de direita à suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Em 27 de setembro, Flávio Dino, no STF, derrubou a decisão de Mendonça e determinou o restabelecimento de uma publicação que havia sido removida. Ao analisar o caso, Dino afirmou que o conteúdo não citava Flávio Bolsonaro ou seus familiares e considerou que a decisão deveria preservar a liberdade de expressão e religiosa.
A defesa de Flávio recorreu e pediu ao ministro Luiz Fux que suspendesse a decisão de Dino. Fux acolheu o pedido e restabeleceu os efeitos da determinação anterior de Mendonça, mantendo suspensas as publicações relacionadas ao caso até uma análise do plenário do STF.
Fux também determinou que as plataformas digitais interrompessem a execução da decisão de Dino e restabelecessem, em até 24 horas, a situação anterior, seguindo as determinações expedidas por Mendonça no âmbito do TSE. O caso deverá ser levado ao plenário do Supremo.
Dark Horse virou problema para Flávio
Um dos primeiros episódios a provocar impacto direto na candidatura de Flávio Bolsonaro foi a divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Em maio, foram reveladas conversas nas quais Flávio pedia dinheiro a Vorcaro para financiar Dark Horse, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL). O valor negociado chegou a R$ 134 milhões, segundo as mensagens divulgadas, e R$ 61 milhões teriam sido pagos.
O caso passou a ser explorado pelos adversários durante a campanha e atingiu especialmente a imagem de Flávio entre eleitores de direita. Uma análise publicada pela Folha apontou perda de apoio do candidato em grupos evangélicos, no Sul e entre bolsonaristas que se identificam como moderados, embora o antipetismo ainda funcionasse como uma espécie de proteção eleitoral para Flávio em cenários de segundo turno.
O assunto voltou ao centro da campanha no fim de agosto. A produtora responsável por Dark Horse confirmou que recebeu um aporte de US$ 1,6 milhão de Vorcaro em setembro de 2025, elevando para US$ 12,3 milhões o total de repasses atribuídos ao banqueiro para o filme. A empresa afirmou ter informado os valores à Justiça de São Paulo.
Flávio Bolsonaro questiona perguntas sobre Vorcaro e ‘Dark Horse’: ‘Relação privada de um filme privado’:
Em setembro, novos documentos tornados públicos no âmbito do caso Banco Master ampliaram a pressão sobre a campanha. A Polícia Federal passou a investigar Flávio Bolsonaro por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”. Segundo a investigação, Vorcaro teria destinado US$ 12,3 milhões ao fundo responsável por administrar os recursos do filme, e a PF identificou indícios que levantaram questionamentos sobre a origem e a aplicação desse dinheiro. Flávio nega irregularidades.
O caso ganhou ainda um novo elemento com a identificação, pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), de um repasse de US$ 1,6 milhão feito por Vorcaro em 16 de setembro de 2025, meses depois da data que Flávio havia apontado como o último pagamento recebido para a produção. A produtora GoUp afirmou que o aporte foi incluído na prestação de contas apresentada à Justiça de São Paulo em junho deste ano.
Com a retirada parcial do sigilo das investigações pelo ministro André Mendonça, documentos relacionados ao “Dark Horse” passaram a integrar o conjunto de informações públicas do caso Master. A divulgação alimentou a crise em torno das investigações e colocou novamente a relação entre Flávio, Vorcaro e o financiamento do filme no centro do debate eleitoral.
O caso ganhou novo capítulo em 10 de setembro, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar suspeitas de desvio de emendas parlamentares e de outros recursos para a produção de “Dark Horse”. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP), idealizador do filme, e Karina Gama, da produtora Go Up Entertainment. A investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF.
Centrão neutro e o embate na família Bolsonaro
A tentativa de Flávio Bolsonaro de ampliar a aliança para além do PL esbarrou na decisão de partidos do Centrão de manter neutralidade na disputa presidencial. PP, União Brasil, Republicanos, MDB, PSDB/Cidadania e Podemos optaram por não formalizar apoio a nenhum candidato no primeiro turno, embora integrantes dessas legendas tenham declarado apoio individual a Flávio. O movimento dificultou a construção de uma chapa mais ampla e também reduziu as opções para a escolha do vice. Inicialmente, o candidato buscava uma mulher de outro partido para ocupar a vaga, mas, sem o aval das legendas, acabou escolhendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor uma chapa exclusivamente do PL.
Outro episódio que marcou a campanha foi o atrito entre Flávio e Michelle Bolsonaro. A crise veio à tona em junho, após uma divergência sobre a composição política do PL no Ceará. Michelle defendia que o partido apoiasse Eduardo Girão (Novo), enquanto Flávio participou das articulações em torno de uma aliança com Ciro Gomes. A ex-primeira-dama afirmou em vídeos publicados nas redes sociais que havia sido “ríspido”, “desrespeitoso” e que a teria “maltratado” durante uma conversa. Flávio negou a intenção de ofendê-la e pediu desculpas.
Michelle e Flávio Bolsonaro tiveram embate durante campanha que antecedeu o primeiro turno
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão
O conflito teve novos desdobramentos nas semanas seguintes. Michelle deixou a presidência do PL Mulher e ficou temporariamente afastada da campanha presidencial. Em julho, os dois anunciaram uma trégua e, posteriormente, Michelle declarou apoio à candidatura de Flávio na convenção nacional do PL. Já durante a campanha, ela voltou a participar mais ativamente da mobilização de mulheres do partido e, em setembro, publicou vídeos convocando lideranças estaduais do PL Mulher a apoiarem o candidato. A reaproximação recolocou Michelle na estratégia eleitoral de Flávio, especialmente nas ações voltadas ao eleitorado feminino e evangélico.
Tarifaço e o tema da soberania
Enquanto Flávio buscava consolidar sua candidatura, a política externa dos Estados Unidos também passou a interferir diretamente no debate eleitoral. A crise envolvendo as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil ganhou dimensão política depois que Flávio se reuniu com o presidente americano na Casa Branca, em 26 de maio.
Segundo o senador, os dois conversaram sobre tarifas, comércio, minerais críticos e segurança. Dias depois, Flávio afirmou ter pedido “expressamente” a Trump que não aplicasse uma tarifa sobre produtos brasileiros. Após o anúncio das novas tarifas, adversários passaram a acusar Flávio de ter contribuído para a decisão do governo americano. O senador negou a interpretação e argumentou que uma nova sobretaxa acabaria fortalecendo a campanha de Lula. O episódio chegou a render ao candidato o apelido de “Tariflávio” entre adversários.
A questão também entrou no discurso de Lula. O presidente passou a associar as tarifas à defesa da soberania nacional e repetiu, ao longo dos meses, que o Brasil não é uma colônia, que defender a soberania é defender a democracia e que ninguém afastaria o País de sua soberania. Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, inclusive, aproveitou para criticar indiretamente a tentativa de interferência dos EUA em outros países e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Confusão na filiação
Flávio Bolsonaro não conseguiu registrar a candidatura no TSE
Foto: EDUARDO F. S LIMA/ATO PRESS / Estadão
Antes mesmo do início oficial da campanha, Flávio enfrentou um imbróglio para seu registro pelo PL. Em 13 de agosto, poucos dias antes do fim do prazo para registro das candidaturas, o sistema da Justiça Eleitoral passou a indicar que o senador estava filiado ao Missão, partido de Renan Santos, em vez do PL. A alteração impediu, naquele momento, que a chapa de Flávio fosse registrada pela legenda de Jair Bolsonaro.
Flávio afirmou que não havia se filiado ao Missão e classificou o episódio como uma fraude. O partido, por outro lado, disse ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta e que havia avisado o senador sobre o ocorrido logo que notou o erro. O caso chegou ao TSE, que determinou a exclusão da filiação ao Missão, restabeleceu o vínculo de Flávio com o PL e permitiu que o partido desse andamento ao registro da candidatura. A decisão também determinou a preservação dos registros de acesso e o encaminhamento do caso à Polícia Federal para investigação.
Renan Santos teve campanha suspensa e depois liberada
Renan Santos na sabatina na Globo
Foto: Manoella Mello/Globo
Outro episódio que movimentou o primeiro turno envolveu Renan Santos, candidato do Missão. Em 31 de agosto, o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a propaganda eleitoral digital do candidato, sua participação em debates e o acesso a recursos do Fundo Eleitoral.
A decisão ocorreu depois que a campanha informou à Justiça Eleitoral 16 perfis de redes sociais que não haviam sido declarados no momento do registro da candidatura. Entre as contas estava um perfil com grande número de seguidores. A medida também determinou a retirada de conteúdos das plataformas.
A decisão, entretanto, durou pouco. No dia seguinte, Toffoli reviu a determinação e afirmou que a medida anterior tinha caráter cautelar e não representava uma sanção definitiva, além de considerar os esclarecimentos apresentados pela campanha.
Debate presidencial mudou posição de Cury
Augusto Cury, durante debate dos candidatos à Presidência da República, realizado nos estúdios da TV Band
Foto: MARINA UEZIMA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
O primeiro debate da Band teve Lula, Flávio e Romeu Zema (Novo) ausentes, deixando no estúdio apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A própria Band registrou que o confronto acabou marcado pelos púlpitos vazios.
Renan foi apontado como o candidato que mais ganhou atenção nas redes sociais durante o encontro, enquanto Cury teve o melhor desempenho nas avaliações qualitativas. A exposição também ajudou a colocar o escritor e psiquiatra no radar de eleitores que ainda não acompanhavam de perto sua candidatura, ele passou a ocupar um espaço que vinha sendo disputado por nomes como Caiado, Zema e Renan Santos. Nas rodadas seguintes, porém, ele deixou de avançar e passou a oscilar em patamar semelhante ao dos demais candidatos que tentavam se posicionar fora da polarização entre Lula e Flávio.
Marçal tentou disputar inelegível, mas TSE barrou
Pablo Marçal (PRTB)
Foto: Reprodução/Instagram
Pablo Marçal também entrou na corrida presidencial em meio a uma situação jurídica delicada. O empresário lançou sua candidatura pelo PRTB mesmo estando inelegível até 2032, após uma condenação da Justiça Eleitoral relacionada às eleições municipais de 2024. A punição ocorreu por uso indevido dos meios de comunicação, em razão da estratégia de promover concursos para estimular a produção e a disseminação de vídeos com conteúdo eleitoral.
Em 11 de setembro, porém, o plenário do TSE decidiu, também por unanimidade, indeferir definitivamente o registro da candidatura de Marçal. Além da inelegibilidade até 2032, a Corte considerou que ele não havia comprovado filiação ao PRTB dentro do prazo legal, já que ainda estava filiado ao União Brasil no período em que deveria estar vinculado ao partido pelo qual concorreria.
Com a decisão, o PRTB substituiu Marçal por Leonardo Avalanche, então presidente da legenda e que inicialmente concorria como vice na chapa. Avalanche também renunciou à candidatura a vice, e Silvia Helena da Silva Pereira passou a ocupar a vaga. A substituição foi formalizada em 14 de setembro, último dia do prazo legal para troca de candidaturas.
Debate cancelado
A última grande movimentação se deu na quinta-feira, dia 1ª, quando a Globo cancelou o debate com candidatos à Presidência da República faltando menos de uma hora para o início da transmissão por "interferência indevida na liberdade" pelo TSE e do STF. Esse seria o último debate realizado com os presidenciáveis.
O motivo foram duas intimações judiciais relacionadas à realização do evento: uma do TSE que proibia que a emissora mostrasse o púlpito vazio de Lula e outra do STF que assegurou a participação de Renan Santos (Missão) no debate – mesmo com ele não sendo obrigado a ser convidado pelas regras da justiça eleitoral.
No debate, participariam Cury, Zema, Caiado (PSD) e, considerando a decisão do STF, Renan Santos (Missão). Lula, que já tinha informado que não iria, foi entrevistado no Flow, no YouTube. Já Flávio desistiu de ir à Globo de última hora, alegando “censura imposta ao evento”.
Fonte: Portal Terra
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