Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas debateram segurança pública, saneamento básico e privatizações, entre outros temas

30 set 2026 - 07h37

Compartilhar

- Por: Bernardo Costa, Gabriel Belic, Gabriela Meireles e Giovana Frioli

Candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos)

Foto: Divulgação/Rede Globo

Candidatos ao governo de São Paulo participaram nesta terça-feira, 29, de debate organizado pela Globo. Participaram Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Quiz eleitoral: faça o teste e descubra com qual programa presidencial de governo você mais se identifica

O Estadão Verifica, equipe de checagem de fatos do jornal, analisou as alegações feitas pelos candidatos e conferiu a veracidade delas. Foram consideradas apenas afirmações factuais, como números, datas, comparações de grandeza e outras. Após a apuração, atribuímos as etiquetas “falso”, “enganoso”, “exagerado”, “subestimado”, “falta contexto” e “verdadeiro”.

Confira o resultado abaixo:

Comandante da PM afastado

O que Haddad disse: que Tarcísio afastou comandante da PM por recomendação do Ministério Público

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. O coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante da PM, pediu para deixar o cargo em abril deste ano, após ter sido citado em uma investigação do Ministério Público de São Paulo sobre propinas pagas pela cúpula do PCC a policiais da Rota. Na ocasião, houve um pedido do promotor Bruno Servello Ribeiro, da Justiça Militar, para que o procurador-geral da Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, analisasse a conduta de Coutinho. Mas não houve uma recomendação do Ministério Público para que ele deixasse o cargo. O governo de São Paulo informou que “o coronel Coutinho pediu afastamento das suas funções por motivos pessoais”.
Indicadores criminais
O que Tarcísio disse: que todos os indicadores criminais estão caindo.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) indicam que há queda de homicídios, latrocínios e roubos (veja aqui e aqui). Em relação aos feminicídios, no entanto, o Estado de São Paulo registrou 270 casos em 2025, segundo o 20ª Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança. Em 2023, primeiro ano de governo de Tarcísio, esse número foi de 221. Em 2022, antes de o govrnador assumir, foram 195 casos. Vale destacar que o Estado registrou 107 casos de feminicídio entre janeiro e abril deste ano, sendo o maior número para os quatro primeiros meses desde 2018.
Feminicídio
O que Tarcísio disse: que o aumento da violência contra a mulher ocorre em todos os Estados.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é exagerado. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, embora o Brasil tenha registrado uma queda de 5,5% entre 2024 e 2025 nos homicídios femininos, onze estados apresentaram crescimento de suas taxas no período. No caso dos feminicídios, foram observadas reduções em Estados como Amazonas, Maranhão e Paraná. O documento questiona a fronteira entre o que é registrado como feminicídio e o que permanece classificado como homicídio comum de mulher.
Fila de cirurgias
O que Tarcísio disse: que São Paulo fazia 750 mil cirurgias por ano, agora está fazendo 1,3 milhão.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é verdadeiro. Segundo nota da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o SUS paulista tinha uma média anual de 700 mil cirurgias eletivas em 2022. Em 2025, o número foi de 1,3 milhão. Até agosto de 2026, foram realizadas 522 mil.
Construção de hospitais
O que disse Haddad: que, quando prefeito, fez 20 hospitais-dia, enquanto Tarcísio fez sete Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), sendo uma sem centro cirúrgico.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é exagerado. O próprio site da campanha de Haddad informa que, durante a sua gestão na Prefeitura de São Paulo, foram entregues 16 hospitais-dia (unidades fixas permanentes). O município registra 17 unidades de saúde do tipo na capital. A gestão de Tarcísio inaugurou dois novos AMEs, tem seis em construção e um em fase de licitação, como apontou levantamento do g1.
Privatização da CPTM
O que Haddad disse: que houve um aumento de 27% nas falhas na CPTM.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: falta contexto. O candidato se refere a um levantamento realizado pela produção da TV Globo. Os números indicam que as falhas nos trens e metrôs de São Paulo cresceram 27% no 1º semestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado. Embora as linhas privatizadas sejam as que mais tiveram crescimento das falhas no 1º semestre deste ano, a Linha 3-Vermelha do Metrô foi a que mais registrou problemas no período.
Carga tributária no País
O que Tarcísio disse: que a carga tributária no Brasil é de 22% do PIB, maior da história.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é impreciso. A carga tributária bruta do governo central (sem contar Estados e municípios) atingiu 21,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo dados do Tesouro Nacional.
Criação de empresas
O que Tarcísio disse: que o Estado de São Paulo criou 1 milhão de empresas durante sua gestão.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: falta contexto. De janeiro de 2023 a agosto de 2026, foram constituídas cerca de 1,4 milhão de empresas no Estado, segundo dados da Junta Comercial (Jucesp) divulgados pela imprensa (aqui, aqui e aqui). Contudo, o número desconsidera que 580 mil empresas foram liquidadas em São Paulo no mesmo período, resultando em um saldo líquido de 830 mil. Os dados não consideram estatísticas da categoria Microempreendedor Individual (MEI).
Concurso de policiais
O que Tarcísio disse: que foi responsável pelos dois maiores concursos da Polícia Civil, o primeiro de 4.017 e o outro de 3.500 vagas
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é impreciso. Tarcísio assinou a nomeação, em maio de 2024, de 4.017 novos servidores para a Polícia Civil de São Paulo, mas a aprovação havia se dado no concurso de 2022, anterior à sua gestão. O concurso de 2023 abriu 3.500 vagas.
Frequência escolar
O que Tarcísio disse: que a frequência escolar era de 78% e hoje é de 91%.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é impreciso. Segundo dados da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, a frequência escolar na rede estadual de São Paulo chegou a 91,1% em 2025. Em 2023, no primeiro ano do governo de Tarcísio, a taxa de presença era de 82,5%. Vale destacar que esses números se referem a mecanismos de acompanhamento de frequência implementados na atual gestão.
Atendimento de crianças atípicas
O que Haddad disse: que Tarcísio acabou com o atendimento especializado a crianças atípicas nas escolas.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é exagerado. Em outubro de 2025, o governo do estado de São Paulo divulgou a Resolução SEDUC n° 129, que dispõe sobre a regulamentação da Política de Educação Especial do Estado e do Plano Integrado para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
A resolução gerou preocupação em famílias de alunos atípicos, pois o texto prevê a garantia de profissionais de apoio apenas para estudantes enquadrados em critérios específicos, o que, segundo familiares, pode deixar de fora parte dos alunos com TEA.
Além disso, inicialmente, o documento permitia a substituição de professores auxiliares por profissionais de apoio terceirizados, com formação obrigatória apenas de ensino médio e cursinho de 80 horas. Após pressão de famílias, Tarcísio disse que não retiraria professores auxiliares da rede estadual.
Reforma tributária
O que Haddad disse: que Flávio Bolsonaro está dizendo que, se eleito, a reforma tributária não entrará em vigor.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é verdadeiro. Em seu plano de governo, Flávio Bolsonaro fala em “revisar” a reforma tributária em curso. Em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em junho deste ano, Flávio reforçou sua proposta de suspender a atual reforma tributária. Segundo ele, sua posição não seria contra a ideia da reforma em si, mas a favor de rever o regramento aprovado pelo Congresso.
Piso nacional da saúde
O que Haddad disse: que, como ministro da Fazenda, colocou R$ 100 bilhões a mais na saúde em 2026 com a reposição do piso nacional da saúde
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é verdadeiro. Fernando Haddad assumiu o Ministério da saúde em 2023. Naquele ano, o Piso Mínimo Constitucional em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) foi de R$ 147,9 bilhões. (pág. 6). Em 2026, o piso foi de R$ 253 bilhões (pág. 6). O aumento foi de R$ 105 bilhões.
Compartilhar
TAGS
Política Checamos Eleições Notícias

