Associados da Ponte rejeitam criação da SAF; veja como foi a votação

Em meio a uma profunda crise financeira e administrativa, os associados da Ponte Preta rejeitaram a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para controlar o departamento de futebol.

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A votação ocorreu neste sábado, no Salão Nobre do Estádio Moisés Lucarelli. Compareceram 384 dos 676 associados aptos a votar, segundo lista disponibilizada na sexta-feira pela secretaria do Conselho Deliberativo por determinação judicial.
Diante do número de presentes, eram necessários 256 votos para a aprovação (dois terços, conforme rege o estatuto), mas o resultado final foi de 234 votos favoráveis à SAF e 150 contrários.
- Em função disso, o resultado foi que a proposta foi rejeitada por não ter atingido o quórum mínimo de dois terços, conforme norma estatutária - explicou José Armando Abdalla Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, em pronunciamento à imprensa após a apuração das urnas.
Associados da Ponte rejeitam criação da SAF — Foto: Oscar Herculano
Integrantes da oposição à atual gestão comemoram quando o anúncio foi feito no Salão Nobre Pedro Pinheiro. Do lado de fora, torcedores comuns e uniformizados também festejaram, soltando fogos e com gritos de protesto contra a diretoria - os principais alvos eram o vice-presidente Marco Antonio Eberlin, também diretor de futebol, e o presidente Luiz Alves Torrano.
O processo transcorreu sem grandes problemas, com discussões pontuais entre torcedores do lado de fora do Majestoso. Diante da tensão envolvendo o tema e a disputa política no clube, Polícia Militar e Guarda Municipal reforçaram a segurança no local.
- A assembleia transcorreu de uma maneira tranquila, organizada e ordeira. Um espírito democrático muito grande de toda a coletividade. É um exemplo muito grande que tiro dessa assembleia - afirmou José Armando Abdalla Júnior.
A reunião foi remarcada após o encontro do dia 24 de agosto terminar sem votação, em meio a confusões e decisões liminares da Justiça em meio a divergências e polêmicas - que continuam - entre integrantes da atual diretoria e membros da oposição
Assembleia para votação da SAF da Ponte é marcada por confusão
A Assembleia deste sábado precisou seguir determinações judiciais para assegurar a lisura do processo, como a obrigatoriedade de disponibilizar ainda na sexta-feira a lista de quem está apto a exercer o voto, a presença de tabeliões (responsáveis por atestar a autenticidade jurídica dos fatos) e equipe de filmagem.
As decisões são decorrentes de pedidos em processos movidos por integrantes da oposição à atual gestão.
A votação foi secreta e individual, conforme o edital de convocação. A primeira chamada estava marcada para 8h e a segunda, para 8h30. Depois, o processo de votação foi até 14h30.
Os associados tinham uma cédula com as opções "SIM" (a favor da SAF) e "NÃO" (contra a SAF) para escolher, assinalar a resposta e depositar na urna.
O que foi votado?
A assembleia deste sábado não era para analisar uma proposta de investidor ou definir a venda da SAF. O objetivo era referendar a decisão anterior do Conselho Deliberativo, em junho.
O modelo previsto é o de constituição de uma SAF para administrar as atividades relacionadas ao futebol - cisão do departamento de futebol, conforme anunciado no edital de convocação, sem envolver patrimônios do clube.
Bandeira Ponte Preta; Moisés Lucarelli — Foto: Marcos Ribolli
E agora?
Com o resultado da Assembleia Geral Extraordinária deste sábado, o processo para a criação da SAF volta à estaca zero.
- A diretoria executiva, que é quem tem competência e legitimidade para isso, vai precisar encaminhar uma decisão. Se essa decisão for pela continuidade da implantação de uma futura SAF no clube, esse processo tem que respeitar obrigatoriamente o estatuto, que envolve novamente se criar uma comissão para estudar o assunto, fornecer um parecer para a diretoria executiva, ela encaminhar ao Conselho Fiscal e ao Conselho Deliberativo. Se aprovado no Conselho Deliberativo, dar continuidade novamente para uma nova assembleia de associados - explicou o diretor jurídico da Ponte, José Henrique Specie.
A diretoria alvinegra diz ter uma proposta de aproximadamente R$ 1 bilhão de um grupo de investidores - que seria posteriormente discutida e votada no Conselho Deliberativo e em Assembleia Geral Extraordinária de associados caso a criação da SAF fosse aprovada neste sábado
Crise sem fim
A decisão dos associados ocorre em um dos momentos mais delicados da história de 126 anos da Ponte. O clube atravessa uma grave crise financeira, com atrasos salariais recorrentes desde 2025 que provocaram uma paralisação dos jogadores durante a Série B, além de uma debandada no elenco, com quase 20 saídas.
Ponte Preta pode chegar a 100 gols sofridos no ano
Após a primeira tentativa de assembleia, o elenco interrompeu as atividades em razão das pendências financeiras. Dias depois, a Ponte enfrentou o América-MG utilizando apenas jogadores formados na base para evitar W.O. e perdeu por 2 a 0.
A paralisação foi encerrada posteriormente. O advogado Filipe Rino, representante dos atletas, afirmou na ocasião que os jogadores retomaram as atividades em respeito à instituição.
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A situação esportiva também se agravou. A Ponte está na lanterna da Série B, com 10 pontos, e acumula 22 jogos sem vitória na competição - recorde negativo na história da divisão. Na última rodada, a equipe perdeu por 6 a 0 para o Londrina, fora de casa.
O próximo desafio está marcado para domingo, às 11h, contra o CRB, no Moisés Lucarelli.
Em novo vexame, Ponte é goleada pelo Londrina por 6 a 0
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