10/07/2024 às 19h53min - Atualizada em 10/07/2024 às 19h53min

​Pesquisadores lançam texto proibido na ditadura militar

​Pesquisadores lançam texto proibido na ditadura militar: 'Povos indígenas do Alto Rio Negro e dominação colonial' nesta quarta, em livraria de Belém



A editora Valer e os professores Edna Castro, Joaquina Barata Teixeira, Valdecir Palhares e Antonio Maria lançam o livro 'Povos indígenas do Alto Rio Negro e dominação colonial', nesta quarta-feira, dia 10 de julho, na livraria Travessia, às 19h.  

O livro é resultante de um relatório, que foi peça documental da denúncia levada ao Tribunal Roussel, em 1978, pelas mãos de Álvaro Tukano e Márcio Souza, cujo resultado foi o julgamento e condenação do Estado brasileiro pelo genocídio de povos indígenas praticado durante a ditadura militar. Durante longo tempo, o texto se manteve proibido.

Presentemente, porém, com a intervenção da Comissão da Verdade, que atesta a sua importância e a necessidade de que bastidores se revelem, e com o incentivo de pesquisadores e professores da Universidade Federal do Pará – UFPA, ele chega ao público.

De acordo com a coordenadora editorial da Valer, professora doutora em Filosofia, Neiza Teixeira, a importância da obra é acrescida num momento em que os povos indígenas do Brasil, especialmente os do Alto Rio Negro, são atores de manchetes de jornais e de documentários na imprensa nacional e internacional, por conta dos maus-tratos e do abandono que vêm sofrendo, visto que ainda são vítimas de descaso, que geram até mesmo etnocídios, apesar da autonomia e da capacidade de compreender os processos, sejam eles culturais ou políticos, aos quais são submetidos.

Em boa hora, ele chega, para sabermos sobre os povos indígenas que se situam próximos a nós, e para nos incentivar a tomar uma decisão em defesa de pessoas, do meio ambiente e da Amazônia. 

“O livro acrescenta aos conhecimentos que já consolidamos sobre a ditadura militar no Brasil e traz informações sobre os indígenas do Alto Rio Negro naquele período. É importante como um documento sobre o momento político brasileiro e, também, como ponto de referência para estudos atuais”, ressalta Neiza.

Segundo Márcio Meira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, este livro é o renascimento público daquele relatório de 1976, que o retira definitivamente da clandestinidade. Doravante, será útil para os pesquisadores que estudam a história do indigenismo no noroeste amazônico ou mesmo, de forma mais ampla, a história das ações da ditadura militar e missionárias no Brasil indígena, na década de 1970. 

"Interessa também, e sobretudo, à memória dos indígenas da região, que confrontaram e resistiram ao regime a eles imposto e hoje estão organizados em torno da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn, fundada em 1987, uma das mais importantes organizações indígenas do Brasil contemporâneo", ressaltou Mário no prefácio do livro. 


Sobre os autores

EDNA RAMOS DE CASTRO – socióloga, professora emérita da UPPA, atuando no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos e no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, doutora pela École de Hautes Études en Sciences Sociales, na França, e autora de várias obras sobre a Amazônia.
JOAQUINA BARATA TEIXEIRA – assistente social, professora da UFPA, onde atuou no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, mestre pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – Naea, especialista e autora de obras sobre a Amazônia.

VALDECIR MANOEL AFONSO PALHARES – médico, professor do Instituto Federal de Educação do Pará, atuante na Secretaria de Saúde do Amapá, especialista em Saúde Pública, militante cooperativista e autor de várias obras sobre a Amazônia.

ANTONIO MARIA DE SOUZA SANTOS – antropólogo, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, possui larga experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnologia Indígena.

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